Seção(ões): Curiosidades e Entretenimento, Notícias, Pesquisas e Opiniões
Prezados Camaradas, é com enorme satisfação que volto a postar neste ilustre boteco, depois de tanto tempo afastado dos bastidores do PdB, obviamente, por motivos alheios a minha vontade, mas que foram inevitáveis, assim, sirvo-me do presente para desculpar-me pela longa ausência, se é que fiz falta para algum dos bêbados de plantão.
Bem, chega de rasgação de seda e vamos ao que interessa. O papo da semana é o seguinte: “Porres e poesias”. Segundo a ótima sugestão do Dono do Bar, seria uma ótima idéia escrever sobre alguns poetas ébrios que deixaram seu legado nas linhas da história, então, pensei logo no ilustríssimo “Velho Safado”, como era conhecido por sua legião de amigos e fãs, ninguém mais, ninguém menos, que Charles Bukowski.

Nasceu em Andernach, na Alemanha, em 16 de agosto de 1920, era filho de uma jovem alemã e de um militar americano. Foi levado por seus pais para os Estados Unidos logo aos três anos de idade, tendo residido inicialmente na Cidade de Baltimore no ano de 1923, posteriormente, a família foi obrigada a mudar para o subúrbio de Los Angeles.
Charles Bukowski foi uma criança atormentada por um pai extremamente autoritário, violento e frustrado, que constantemente descontava seus problemas o espancando pelos motivos mais fúteis e irrelevantes. Quando atingiu a adolescência, somou-se a este problema o fato de ter o rosto e toda a parte superior do corpo literalmente tomada por inflamações que o obrigaram a submeter-se a tratamentos médicos no hospital público de sua Cidade.
Como se bastasse tantos problemas, na escola, a situação também não era das melhores, tendo poucos amigos e sendo sempre o penúltimo a ser escolhido para o time de beisebol, acabou abandonando a escola para voltar somente um ano após.
A ausência do elo familiar sólido, amor, carinho, compreensão e, além disso, a humilhação de ter um rosto deformado obrigaram-no a fugir. Neste meio tempo descobriu duas coisas que o ajudaram a tornar a sua vida suportável: o álcool e os livros. Teve problemas com alcoolismo, trabalhou em empregos temporários em várias cidades americanas, como carteiro, frentista e motorista de caminhão apesar de ter estudado jornalismo sem nunca se formar.
Bukowski começou a escrever poesias aos 15 anos, mas seu primeiro livro somente foi publicado 20 anos depois em 1955. No ano de 1962 estreou na prosa caracterizada pela descrição de sua vida pessoal. Escreveu, entre outros livros, “Mulheres“, “Hollywood” e “Cartas na Rua“.

E logo vai amanhecer Os trabalhadores vão se levantar e vão procurar por mim no estaleiro e dirão: ‘ele tá bêbado de novo’.
Charles Bukowski, in Quatro e meia da manhã
De estilo extremamente livre e imediatista, suas obras não transparecem demasiadas preocupações estruturais, sua literatura é de caráter extremamente autobiográfico, abundando acerca de temas e personagens marginais como: prostitutas, sexo, alcoolismo, ressacas, corridas de cavalos, pessoas miseráveis e experiências escatológicas. Dotado de um senso de humor ferino, auto-irônico e cáustico, foi comparado a Henry Miller, Louis-Ferdinand Céline e Ernest Hemingway, resumindo, uns dos maiores gênios da literatura.
Repulsa, nojo, ódio, amor, paixão e melancolia, esses são alguns dos sentimentos que mais o inspiraram na composição de toda sua obra. Cada poesia, cada romance e cada conto do escritor trazem um pouco da vida do “Velho Safado“, como ficou conhecido no mundo inteiro. Prova disso é o jornalista inglês Howard Sounes, que assina: “Charles Bukowski – Vida e loucuras de um Velho Safado” (Editora Conrad).

Biografia considerada uma das mais completas e sérias do gênero
Tendo Ernest Hemingway e Fiódor Dostoiévski como principais influências. Com o escritor russo ele aprendeu: “Quem não quer matar seu pai“? O complexo de Édipo rodeia Chinaski por toda a obra. “Ele” é o cara sacana, “Ele” é o responsável por seu sofrimento, “Ele merece” morrer. Esse ódio por seu pai, um alcoólatra violento, permeava toda a obra do “Velho Buk“. Essa capacidade de transformar o dia a dia em poesia, de pegar as bebedeiras triviais, as angústias adolescentes e transformá-las em arte era a mágica mais mirabolante de Charles Bukowski.
Beber é algo emocional. Faz com que você saia da rotina do dia-a-dia, impede que tudo seja igual. Arranca você pra fora do seu corpo e de sua mente e joga contra a parede. Eu tenho a impressão de que beber é uma forma de suicídio onde você é permitido voltar à vida e começar tudo de novo no dia seguinte. É como se matar e renascer. Acho que eu já vivi cerca de dez ou quinze mil vidas.
(Charles Bukowski)

Glub, glub...
Funcionário dos Correios até os 49 anos, Bukowski sonhou a vida inteira em ser reconhecido pelo seu trabalho como escritor. Dono de um talento nato, o poeta usava a simplicidade e a singularidade dos fatos mais rotineiros e transformava o cotidiano em obra de arte. Inconformado e, sempre, com uma garrafa na mão, ele sentava em sua antiga máquina de escrever e, com uma sutileza surpreendente, deixava fluir seus pensamentos sem censura alguma.
Vivia em um mundo atormentado e distorcido, totalmente fora dos padrões impostos pela sociedade de sua época. O escritor nunca fez questão de esconder que seus trabalhos eram, quase sempre, autobiográficos. E sua falta de discrição era tão grande, que durante toda vida teve de lidar com a quebra de laços de amizade. Ele citava, sem qualquer preocupação, nomes e, quando muito inspirado, fazia duras críticas às pessoas que o cercavam. Algumas vezes os personagens “nada fictícios” ficavam sabendo das peripécias do poeta bêbado após a publicação dos textos.
Sua obra surtiu tanto efeito que alguns de seus contos e romances acabaram sendo adaptados para o cinema por alguns diretores. Inclusive, o próprio Bukowski recebeu diversos convites para escrever argumentos, apesar de assumir que nunca gostou muito de filmes.
Nos anos 1980, desfrutou de certa fama, convivendo com artistas e tornando-se uma celebridade. Porém, Bukowski faleceu aos 73 anos, em 09 de Março de 1994, na Cidade de San Pedro, Califórnia, pouco depois de finalizar sua obra “Pulp”. Morreu de pneumonia em decorrência da leucemia. Em seu túmulo deixou mais uma prova de sua enorme irreverência, qual seja: “Don’t Try“, em português: “Nem Tente“.

Dedico essa postagem ao eterno Mestre Charles Bukowski, vulgo, “Velho Safado”.
Ao mestre com carinho,
Borislay Ressaks.
Fonte: Wikipedia
O velho lobo russo é apaixonado por vodka, cultura, arte e boa conversa. Ébrio habitual, interessado pelas diversidades no mundo das bebidas, comprometido com a informação, tenta através de bom papo e muita irreverência apresentar ao público do PdB as maravilhas que a vida tem a oferecer.
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22 brindes realizados no Post: "Charles Bukowski: Porres e poesias"
Cássio Godinh 18/08/2009 às 19:07
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"experiências escatológicas"
WHAT?
Vou procurar algum livro desse modafoca.
Não por causa do scat logico… =D
Lady Margarita 18/08/2009 às 19:16
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excelente!
tiro o chapeu pro post!
cultura + bebida + bukowski = sucesso!
rogys 16/09/2010 às 0:01
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desista antes ki os dente da cobra descubra seu calcanhar
arrudA 19/08/2009 às 14:37
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Algumas citações para incentivar ainda mais o povo a ler o Bukowski
Duas poesias dele:
http://www.youtube.com/watch?v=zz1_mVfG-vI
http://www.youtube.com/watch?v=3ym-1HU7x-0
No início do livro "Mulheres", a frase:
"Muito cara legal foi parar debaixo da ponte por causa de uma mulher"
Henry Chinaski
Excelente!
Bela lembrança.
Dono do Bar 19/08/2009 às 14:45
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um dos meus ídolos etílicos… simplesmente foda
Luiz. 20/08/2009 às 1:20
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Curti o caboclo aí,
o que que é aquela definição de 'beber' ali hein?
vou procurar algum livro praq baixar
Riba 20/08/2009 às 17:44
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bukowski é indispensável para quem procura sair da literatura comum. Recomendo os livros: "Crônica de um amor Louco – Ereçoes, Ejaculações e Exibicionismos Parte I", "Fabulário Geral do Delírio Cotidiano" , "Notas de Um Velho Safado"(não deixem de conferir o conto em que o velho buk relata uma noite de amor com uma puta de 130 kg!!), "O Capitão Saiu para o Almoço e os Marinheiros Tomaram Conta do Navio"(trechos do diário pessoal do bukowski, com relatos do cotidiano de um escritor já consagrado mas que não lidava muito bem com a bajulação. interessante suas análises sobre a inovação do computador, já que o diário começou a ser escrito no começo da década 90 com o seu recém-adquirido Mac)
kiddo 20/08/2009 às 19:35
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bem, eu acho que se escreve "madafaca", pronunciando-se o "a" como "â"… um
sotaque mais groovy, mais cool…
great fucking post, dude !!!
sou amarradão no "velho Buk" também !
o cara botava pa fuder merma !!! haha !
li tudo . muuuito legal
Guiton (malk) 21/08/2009 às 1:53
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Perfeita homenagem ao “VELHO SAFADO”.
Ele é uma de minhas maiores inspirações tanto no copo quanto na ponta do lápis.
Um abraço pra todos.
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"É este o problema com a bebida, pensei, enquanto me servia dum copo. Se acontece algo de mau, bebe-se para esquecer; se acontece algo de bom,bebe-se para celebrar, e se nada acontece, bebe-se para que aconteça qualquer coisa."
Charles Bukowski
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Garota do Bar 22/08/2009 às 21:03
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Uau!!! Adorei esse papo de bêbado com um quê de literatura!!! Existiram e existem tantos boemios famosos.. precisamos divulgar essa turma que bebe e faz arte!!! Lá vai um poeminha do Bukowski de lambuja:
CONVERSA ÀS TRÊS E MEIA DA MADRUGADA
às três e meia da madrugada
a porta se abre
e há passos na entrada
que trazem um corpo,
e uma batida
e você repousa a cerveja
e vai ver quem é.
com os diabos, ela diz,
você não dorme nunca?
e ela entra
com o cabelo nos rolinhos
e num robe de seda
estampado de coelho e passarinho
e ela trouxe a sua própria garrafa
à qual você gloriosamente acrescenta
2 copos;
o marido, ela diz, está na Flórida
e a irmã manda dinheiro e vestidos para ela,
e ela tem estado procurando emprego
nos últimos 32 dias.
você diz a ela
que é um cambista de jóquei e
um compositor de jazz e canções românticas,
e depois de uns dois copos
ela não se preocupa com cobrir
as pernas
com a beira do robe
que está sempre caindo.
não são pernas nada feias,
na verdade são pernas ótimas,
e logo você está beijando uma
cabeça cheia de rolinhos,
e os coelhos estão começando a
piscar, e a Flórida é longe, e ela diz
que não somos realmente estranhos
porque ela tem me visto na entrada.
e finalmente
há muita pouca coisa
para dizer.
Aroldo 27/08/2009 às 15:51
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tem um podcast sobre Bukowski nesse link…=D
http://blocosete.com.br/blog/?p=363
Vladmir Maiakovski: Porres e Poesias › Papo de Bar. Sua revista oficial sobre Bebidas Alcoólicas. 07/04/2010 às 9:29
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[...] matley0Depois de relembrarmos o saudoso “velho safado”, ele mesmo Charles Bukowski, é chegada a hora de lembrarmos-nos do mestre Vladmir Maiakovski, grande gênio da literatura [...]
Aline 14/08/2010 às 6:54
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Po, sei que é um post "antigo" mas estava procurando sobre o Buk e achei esse boteco, podia ser mais perfeito?
Parabéns, o velho Buk devia ser lembrado com mais frequência
Dono do Bar 14/08/2010 às 9:19
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Olá Aline, nós que agradecemos, apareça sempre que estamos publicando sobre outros poetas
Grande beijo
rodrigo 23/09/2010 às 8:55
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qts idiotas leram bukowisk, meu deus é como ele disse:
não tem como controlar quem lê!
Talles Goldchzyk 07/10/2010 às 13:15
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Esse espaço é muito interessante, pois me parece que aqui há um ambiente agradavel.
Talles Goldchzyk 07/10/2010 às 13:21
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O espaço é interessante. Pretendo participar.
franciscarlos ramalho 25/08/2011 às 3:52
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esse é o cara !!!
Priscila Lopes de Sousa 13/10/2011 às 21:28
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O meu mestre Bukowski, adorei o post, é sempre bom achar pessoas que são fãns do velho também. E recomendo muito levar alguns livros dele para o bar e bber lendo, causa inspiração, até onde você conseguir ler alguma coisa. Bukowski é um cara inspirador. Recomendo “Cartas na Rua”, ” Mulheres”, ” Notas de um velho safado”, ” Crônicas de um amor louco”, e o clássico ” Misto- quente”. E claro os filmes, que são geniais, “Barfly” e ” Factotum”. Pena que ele demorou a ser descoberto, e morreu cedo. Agora uma brinde ao bebum mais genial….
Cléverson 14/10/2011 às 1:12
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Bukowski para sempre o mestre dos bêbados cultos!
Carol 26/07/2012 às 20:24
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Se ferra meu!!!!!!! copio tudo do wiki maluco?
Luis Carlos Spessatto 19/08/2012 às 0:31
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cerveja
não sei quantas garrafas de cerveja
consumi esperando que as coisas
melhorassem.
não sei quanto vinho e uísque
e cerveja
principalmente cerveja
consumi depois
de rompimento com mulheres-
esperando o telefone tocar
esperando o som dos passos,
o telefone nunca toca
antes que seja tarde demais
e os passos nunca chegam
antes que seja tarde demais.
(…)
do livro O amos é um cão dos diabos
Charles Bukowiski