A nova “Lei seca” Brasileira – Saudades antecipadas da minha cerveja

Foi enorme a repercussão do 1º final de semana da vigência da chamada “Lei Seca” de trânsito, com aumento da fiscalização e rigor nas punições para quem for flagrado dirigindo alcoolizado.

Marcado inclusive pela política de tolerância zero, ou seja, nenhuma gota de álcool quando estiver ao volante. Mas nem tudo são flores.

Ou 8 ou 80 “cupadi”

Estamos passando por um processo de “educação na marra”, que vergonhosamente parece que é o único jeito do brasileiro aprender a respeitar uma lei. Não que esteja errado, afinal, uma lei TEM que ser cumprida, e o descaso histórico com as leis é que torna isso aqui uma bagunça. Pensando melhor, as leis realmente funcionam lá fora porque existe fiscalização e punição efetiva para quem não as cumpre.

Crianças dirigindo um carro de brinquedo

Hmmm… tô chutando que cada uma tomou umas duas latinhas

Muitos aqui não pegaram essa época, mas quando eu tirei carteira, não existia tanto radar. Hoje já perdi a conta de quantas multas por excesso de velocidade eu tomei (sempre uns 6-10 km/h acima, por pura distração).

Os radares aqui no RJ são na maioria escondidos, graças ao nosso Detran malandrinho. Com um carro 1.8, tenho que andar em terceira marcha. Posso dizer que doendo no meu bolso, a educação tá funcionando. E dirigir torna-se um suplício.

Mas será que essa lei vai vingar?

Tenho sérias dúvidas é se essa lei seca vingará. O “novo” código nacional de trânsito vai a duras penas. Aqui no RJ, nada foi feito (sim, eu sei que moro num Estado-Zona) em matéria de punição ao motorista alcoolizado. Aliás, aqui vai minha principal crítica. Antes de baixarem essa lei rigorosíssima, podiam de fato efetivar a anterior.

Porque a tolerância zero vai criar situações absurdas, que aqui prevejo:

  1. Bafômetros adulterados por policiais menos, digamos, honestos.
  2. Um cara sai pra jantar com a namorada, toma uma mísera taça de vinho, e é PRESO. Enquanto isso, em Brasília…
  3. Um cara que encheu a cara no dia anterior,acorda no dia seguinte e vai dirigir, crente que não havia bebido nada. O bafômetro ainda acusará nível alcoólico. Vamos ter que andar com bafômetros para saber quando dirigir?
  4. O efetivo policial é menor à noite, justamente quando a galera sai para beber. Será que a PM e PRF ficarão felizes se inverterem esse paradoxo?
  5. Um drogado ou fumado não vai preso, e o cara que bebeu uma latinha vai? Legal.
  6. Se o cara comer alguns bombons de licor? Vai acusar no bafômetro?

Imagem sacanaeando a justiça

A lei não só é cega. Ela gosta de uma putaria. crédito

Bom, o fato é que não há dúvidas que álcool e direção não combinam, então, apesar de rigorosa demais, a intenção da lei não deixa de ser positiva. Euzinho, que só bati de carro sóbrio, terei que me conformar em abdicar de minha amada cerveja, em prol do social.

Paciência. Prisão, R$ 955,00 e confisco de carteira, para alguém que precisa do carro como eu, serão fatais.

Finalizando…

Finalizando, o que eu queria ver é se essa mesma tolerância zero no trânsito (se pegar, claro), vai também ser aplicada à corrupção em uma certa cidade do Planalto Central brasileiro. Queria também ver o meu dinheiro do IPVA aplicado na conservação de estradas e ruas.

E você, leitor, o que achou?

O CHARGES achou isso…

E a equipe do PDB também 😉

Artigo original postado no Papo de Homem, escrito por Mauricio Garcia, o grande Dr. Health.

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