Água que passarinho não bebe, mas você sim

“Um conto etílico sobre cachaça, a vida e seus prazeres. No que a cachaça tem a ver com você? No que sua vida tem a ver com a cachaça?”

Vote neste artigo:
SóbrioAlegrinhoSemi-modafocaModafocaTem futuroNo brilhoAlucinadoCom a alma no céuComa AlcóolicoJeremias - O Retorno (11 votes, average: 9.27 out of 10)
Loading...

É de bar em bar que a cultura da cachaça persiste. Até hoje, amigos se reúnem para festejar ou derramar as mágoas na mesa. A cachaça cria laços, afetivos ou não, para quem a consome.

Quantas vezes presenciei amigos dizerem suas histórias, angústias ou casos cômicos nos botequins. Os risos e as sensações à flor da pele fazem com que a cachaça seja apreciada tanto pelos jovens quanto pelos mais experientes na arte de beber.

Desabafos cachaceiros

Cachaça em cima da árvore

Das histórias, as que mais me recordo são os famosos “desabafos”. Um conhecido dos botecos uma vez disse algo memorável:

“Não confio em quem não bebe cachaça.”

Salvei a afirmativa, e confirmo. Não se bebe cachaça apenas para esquecer ou para comemorar. A bendita proporciona a quem a consume a virtude da franqueza, esta perdida em tempos de globalização.

E não nos esqueçamos da tradição.

Culturalmente falando, a cana é um patrimônio. A “pinga”, dada a origem na época do engenho, é formadora da identidade brasileira. Para os cachaçólogos (estudiosos da cachaça), a aguardente de cana-de-açúcar marca a democratização do consumo de álcool pelas minorias.

Todas as lutas, derrotas, conquistas sociais, políticas, econômicas e culturais foram umedecidas pela cachaça.

Digo ainda mais: A aguardente nos revela memórias, desejos, significados, e sociabilidades a respeito da pessoa que a ingere, do contexto em que vive, comunicando também com as demais que participam do momento do ato de beber, identificando, assim, extratos sociais.

A cachaça e a música

Moça bebendo cachaça direto do barril

A bebida forte e transparente carrega consigo a melodia das serenatas, expressa em poesia por Mário Solto Maior nos versos:

“Oh! Cachaça amiga, não há quem me diga que não tens valor. Por seres tão boa, vives assim à toa, sem saber se impor.”

A crítica é visível quanto à valorização da bebida em seu país de origem, uma vez que a cachaça ainda hoje é marginalizada pelas classes sociais de alto prestígio.

Voltemos à cachaça, assim como retornamos a casa dos pais, ao grande amor e às preocupações cotidianas.

Nada melhor do que beber cachaça, acompanhado ou sozinho. Meu conselho é que você consuma a branquinha, moderadamente ou com toda a sua vontade. O que vale aqui é beber, e se for pinga – melhor ainda.

Essa crônica foi redigida por Bruna Moreira de Sousa. Quer ver seu artigo ou crônica aqui no Papo de Bar? Entre em contato conosco 😉

Crédito da foto da capa: Alexey Korolyov

Você também gostará desses

Feira de São Cristovão e Jeremy Joseph Um passeio pelo Rio de Janeiro, pelo grande Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, a Feira de São Cristóvão ou Feira dos Paraíbas. Muita comida...
Chapeuzinho Vermelho e suas garrafas de whisky Era uma vez uma linda menina, no auge de seus 19 aninhos, chamada Chapeuzinho Vermelho etílica.
Vila Madalena, samba, mulheres e cachaça Night, balada agradável em Vila Madalena, São Paulo, muito regada com mulheres bonitas e ótimas caipirinhas. Um samba de raiz como trilha sonora, mist...
O Narguilê e Jeremy Joseph Jeremy conta para nós a sua inusitada experiência de inalar uma boa cachaça dentro de um Narguilé. Confira!
Cachaça, água tônica e catchup. Jeremy Joseph e su... A moda agora é a onda do sertanejo universitário, todo lugar tem. E misturando com mulheres lindas, cachaça e finalizar com um podrão, nada melhor que...

Tags:

Compartilhe: