Cachaças: Mais degustações, surpresas e decepções

“Nosso cachaceiro recebe de presente 3 cachaças e as degusta e posta seu Review sobre elas. Algumas surpresas e decepções.”

Vote neste artigo:
SóbrioAlegrinhoSemi-modafocaModafocaTem futuroNo brilhoAlucinadoCom a alma no céuComa AlcóolicoJeremias - O Retorno (14 votes, average: 9.43 out of 10)
Loading...

É muito bom falar de uma coisa que eu gosto tanto. Ainda mais quando eu falo para um público tão bom quanto o do Papo de Bar. Mas o melhor é quando as pessoas me procuram e falam que compraram tal cachaça pensando no que eu escrevi (ou em mim, para ser menos modesto). O fato é que uma dessas pessoas me presenteou com três cachaças artesanais nesta semana e eu quero compartilhar a minha experiência com vocês.

Essas cachaças percorreram um longo caminho até chegarem a mim. Uma veio de Florianópolis/SC, as outras duas de Paraíba do Sul/RJ e as três se encontraram em uma cachaçaria em Juiz de Fora/MG!

Eu não conhecia nenhuma delas e como me foram presenteadas, não sei os valores e a condição que me foi imposta ao recebê-las foi que eu fosse sincero na avaliação. Missão aceita, vamos às apresentações e impressões:

Cachaça Dona Vânia

A primeira que eu experimentei foi a Dona Vânia, de Paraíba do Sul e veio sob a justificativa de que só foi comprada pela beleza da garrafa e não pela qualidade, que era totalmente desconhecida. É realmente uma garrafa muito bonitinha, alta e estreita com rolha, mas faltam informações básicas como volume e graduação alcoólica.

Colorização e olfato

A cor é de um amarelo bem suave. Pálido, eu diria. O cheiro é bem peculiar e você pode perceber a cana ao fundo, mas ele denuncia algo a mais e eu pude comprovar logo em seguida.

Mas o paladar…

Quando dei o primeiro gole, a decepção. A beleza da garrafa esconde uma cachaça com envelhecimento incompleto, adição de malte para dar a cor amarelada e o que se percebe é tão simplesmente o gosto de álcool e mais nada. Estávamos em uma roda de amigos e a Dona Vânia nos deu um forte tapa!

Um belo desperdício de garrafa, mas que ainda dá para aproveitar para fazer uma batida em festa com bebida liberada. Que papelão, Dona Vânia!

Armazém Vieira Esmeralda

Garrafa da cachaça Armazém Vieira Esmeralda

Essa pancada deixou a todos um tanto quanto apreensivos na hora de provar a segunda cachaça: a Armazém Vieira Esmeralda, de Florianópolis. A garrafa vem em uma embalagem caprichadinha com muitas informações (750ml e 40% de graduação alcoólica) inclusive sobre as outras cachaças do fabricante.

Aspecto, colorização e olfato

O aspecto é realmente muito bom: o tom clarinho e levemente esverdeado conseguido através do envelhecimento por quatro anos em tonéis de araribá e grápia faz jus ao nome Esmeralda. O cheiro é muito intenso e amadeirado, o que assustou os leigos da roda, mas é um belo aroma onde se nota claramente a influência da madeira.

Beeelo paladar

Na golada, a surpresa: é um excelente sabor levemente pungente (arde), com partes bem amadeiradas arrematado com o sabor da cana ao final.

Não é uma cachaça que vai agradar aos paladares iniciantes, mas fiquei satisfeito com o que encontrei dentro deste armazém. Detalhe importante: nota dez para a garrafa que depois de um belo tombo no chão saiu completamente ilesa!

Casa do Barão

Garrafa da cachaça Casa do Barão

Com os ânimos renovados, passamos para a última cachaça e eis que surge a baixinha e gordinha Casa do Barão, também de Paraíba do Sul e apesar de ser vizinha da Vânia, essa casa é bem diferente. Logo na entrada vemos a garrafa de 670ml que contém um líquido de 40% de graduação alcoólica muito atraente ao olhar.

Belo visual e cheirosa

Armazenada em tonéis de carvalho, esta cachaça ficou com uma cor bem bonita e com boa fluidez na garrafa. Na sala da casa, o aroma já é um deleite por si só. É impressionante como os cheiros são tão característicos. O cheiro de roça é marcante e só ao fundo você pode perceber a presença do carvalho na composição.

E o sabor…

E o que esta casa me serviu tem um sabor… incrível! Uma excelente descoberta com enorme suavidade, nenhuma ardência gosto de cana-de-açúcar recém extraída. É a típica cachaça para recomendar a qualquer pessoa que ainda tenha algum preconceito com o destilado nacional.

Pode servir sem medo de ser feliz! Entrar nessa casa foi muito agradável e tenho certeza de que voltarei mais vezes!

Finalizando

Fechada a roda de degustações com chave de ouro, trouxe os exemplares para casa (de táxi, é claro) com a satisfação de ter conhecido mais três cachaças que me foram presenteadas com muito carinho e só por isso já teria valido à pena!

Você também gostará desses

Vamos falar de cachaça: Melicana Conheça a cachaça Melicana, a primeira cachaça de mel do Brasil. Algumas garrafas de diversos tipos de barris e sabores. Uma deliciosa cachaça!
Waggle Dance: Nem tão boa, nem tão barata, mas div... Experimentamos a Waggle Dance, uma cerveja simpática, com uma bela garrafa, cor marcante. Porém, ela peca em alguns aspectos como a espuma, dentre out...
Cachaça Havana Anísio Santiago, a melhor cachaça d... Conheça o segredo da melhor cachaça, o orgulho dos brasileiros: A grande Cachaça Havana Anísio Santiago.
A Sol nasce para todos A cerveja mexicana Sol chegou ao Brasil recentemente trazida pela cervejaria Heineken. Sua antecedente, nacional, não era tão boa, mas agora eles capr...
Review das cachaças Santo Grau raras de origem O Papo de Bar fez o review das cachaças Santo Grau raras de origem: Solera Pedro Ximenes e Solera Cinco Botas. Excelentes cachaças que valem a pena. C...
Beba Antes de Morrer: Brewdog Punk IPA Degustamos a deliciosa cerveja do estilo IPA que é um tapa na cara: a Brewdog Punk IPA. Com um início tímido, mas que ao entrar no organismo mostra su...

Compartilhe:

  • Samir Wilson

    Agente sempre espera de uma cachaça artesanal, qualidade, mas só algumas agradam.

    Pra mim cachaça boa é aquela mais suave!

    Sempre valorizei essa bebida genuinamente brasileira.

  • Ávido

    É coisa que brasileiro sabe fazer bem!

  • É verdade, Samir. Assim como todo artesanato, há os bons e os nem tanto. Com as cachaças artesanais acontece a mesma coisa. Há aqueles que não se importam com a experiência do consumidor e pensam apenas em vendas. É daí que surgem essas decepções!

  • Samio Emanuel

    Verdade!

    O brasileiro sabe fazer cachaça!

    Pricipalmente em Salinas!

    Terra da cachaça boa!

  • Gustavo Almada

    Show de bola hein?!

    Chega deu água na boca.

    Já no ramo das "artesanais"… recomendo a cachaça Reserva do Gerente – Guarapari/ES.

    Já fora eleita a 3º melhor cachaça artesanal do Brasil.

    É dar uma golada e encontrar o paraíso!!!

    Se interessar…

    http://www.reservadogerente.com.br

  • Frank Fernandes

    Gostei muito da Beija-flor de Salinas,

    quem quiser o site pra compras vai:

    vendas@cachacabeijaflor.com.br

    abraços.

  • ROCHA

    Sou fã de carteirnha da Dona Vânia, esta cachaça é muito boa, tem um excelente paladar e é realmente imcomparável seu sabor.

    Já tomei esta cachaça direto na fonte, por este motivo falo de cadeira, muito boa!!!

  • Eduardo Pereira

    Peço perdão, humildemente, pelo comentário que vou apresentar: cachaça é mineira, o resto é aguardente de cana. Assim mesmo, há muita cachaça mineira que não merece sê-lo. Buenópolis, Januária e Salinas, eis o "triângulo da cachaça". É nessa área que se deve garimpar.

    Não leve a mal, peço desculpas outra vez e deixo meu abraço cachacista.

  • Ricardão

    Comprei essa cachaça – Casa do Barão – num posto de combustível na minha cidade, Volta Redonda/RJ. Foi também uma aposta (não tinha visto ainda a crítica do blog), e uma bela surpresa!
    Eu curto muito a cachaça Salineira, que é sempre ofuscada pelas suas conterrâneas de Salinas. O que me diz dela?

    Um abraço!

    Ricardão

  • Valdemiro Neto

    Sou o produtor da Cachaça Dona Vânia, e fiquei surpreso com seus comentário, mas dentro do universo da cachaça todos temos muito que aprender, estudar e pesquisar. Tecnicamente temos muito pouca bibliografia a respeito, e me considero um estudioso do universo da cachaça acima de tudo.O que posso dizer é que procuro respeitar tudo o que diz respeito a fazer o produto da melhor qualidade possível o que pode ser comprovado nas frequentes analises do produto e todos os resultados são amplamente satisfatórios. Teria muito prazer em trocar mais opiniões.

  • Maurício

    Que bom ver tanta gente culta enaltecendo a bebida genuinamente brasileira! Salve! Salve! Galera, é o seguinte: tenho que defender a "Dona Vânia"… Pode não ser daquelas com nota acima de 10 (numa escala entre 0 e 10 rsrsrs), mas já provei muitas aguardentes de renome que nem chegavam aos seus pés! Bom, aproveitando, e só pra deixar a turma babando, tenho um amigo na mesma cidade de Paraíba do Sul/RJ, empresário de porte, que possui uma fazenda onde permitiu que algum vizinho plantasse uns pés de cana durante anos. Como não era essa sua atividade, nunca deu bola para o pagamento, feito em aguardente. Pra encurtar a novela, foram enchidos alguns barris antiquíssimos, que estavam esquecidos no porão da sede da fazenda centenária e novamente esquecidos por um bom tempo. Resultado: a melhor aguardente que já provei! Extremamente seca, inacreditavelmente suave e primorosamente leve! Dá banho com muita folga em Havana, Ferreira Januária, Vale Verde, Piragibana e similares. Só tem um detalhe: é exclusiva para consumo pessoal dele! Só oferece quando o visitam na fazenda ou presenteia alguns poucos amigos (sou um dos privilegiados!), raramente, e apenas com uma ou duas garrafas! Hehehehe… Bom Natal e feliz 2010 pra todos!!!

  • Angelica Maria Alber

    Olá, apesar de não ser conhecedora muito menos de tomar uma cachaça de vez em quando; gostei bastante da sua opinião sobre elas. Somos 3 amigas ha mais de 30 anos, uma se chama Vânia, a outra Branca e ambas possuem uma cachaça com seus nomes, gostaria, se voce soubesse, de saber se existe um acachaça com o nome de Angélica. Se vc puder me responder ficarei muito grata.

  • Angélica, terei o maior prazer em procurar, degustar e fazer um artigo em homenagem à mais uma amiga que ganharei.

    Obrigado por seu comentário.

  • Angelica Maria Alber

    Olá! Por acaso já encontrou ma cachaça com o meu nome??? Não né, tambem qando encontra será de um sabor tão especial que logo se lembrará de me avisar…(convencida e hem! ) Até breve.

  • Marcelo

    Outro dia ganhei de presente de um fornecedor em Campo Grande – MS, uma cachaça paraguaia…se chama Aristocrata!
    ….alguem conhece?
    Ainda não abri a garrafa, mas to louco pra inaugurar, será no prox churrasco, lá pra bandas de Porto Alegre.

  • Paulo Moreira

    Caro Jeremy, sou fabricante hobbista de cachaça, e tenho uma que gostaria de envia-la para sua analise, é cachaça nova recem produzida, gostaria de uma opinião para ver se vale a pena envelhece-la.
    No Nordeste não se dá valor a cachaça envelhecida infelizmente, por isso estamos habituados com cachaça nova.

  • Paulo Moreira

    Caro Jeremy, sou fabricante hobbista de cachaça, e tenho uma que gostaria de envia-la para sua analise, é cachaça nova recem produzida, gostaria de uma opinião para ver se vale a pena envelhece-la.
    No Nordeste não se dá valor a cachaça envelhecida infelizmente, por isso estamos habituados com cachaça nova.

    • Grande Paulo, me desculpe pela demora em responder. Estava fazendo mais uma “imersão” pra voltar com outra história pro Papo de Bar.
      Eu devo admitir que cometo o pecado de não conhecer muitas cachaças do Nordeste, portanto será um prazer experimentar a sua. Ainda mais por ser fruto de um hobby, o que me dá a certeza de ser um produto feito com todo o capricho. Preencha o formulário de contato (http://www.papodebar.com/contato/)e poderemos acertar uma forma para que eu a experimente.

      Um abraço!