Carnaval em Muriquí

“Crônica divertidíssima de um carnaval em Muriquí, com direito a fantasia e altas peripécias baseado em fatos reais.”

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Olá bebedores! Em meio a 5 dias mega movimentados, eu meio que tentei arrumar tempo para redigir um diário de bordo do Carnaval. Foi difícil, mas segue uma tentativa real do que aconteceu (ou não) no meu carnaval em Muriquí.

Observação: todos os nomes aqui citados foram substituídos. Sabe como é né? Amigos fazem besteiras e temos que acobertá-los! 😉

Carnaval em Muriquí: WTF?

O lugar se chama Vila Muriquí, e pode-se dizer que é um “apêndice” do município de Mangaratiba, integrante da (quase) famosa Costa Verde. Fica a meio caminho de Angra, seguindo pela Rio Santos.

Localização de Muriqui

Muriquí é uma cidade praiana, que com o tempo vem ganhando um número maior de visitantes, apesar do nível ter baixado BASTANTE nos últimos anos. A cidade já teve um carnaval clássico, de pessoas fantasiadas, marchinhas, blocos, palanques no meio da praça com direito a concurso de fantasia e tudo! hoje em dia, ao meu ver, não passa de um grade baile funk na praia, não importando a data comemorativa.

Dia Zero: A Confusão

Praia de Muriquí

Balança: 80kg.

Na sexta-feira, véspera de Carnaval, acordei meio triste por que não iria pra Ouro Preto ou Bahia. Mas após receber alguns telefonemas confirmando presença em Muriqui-RJ, fiquei com o espírito carnavalesco já a mil por hora. Me avisaram que aconteceria um churrasco num dia, bloco em outro e me pediram pra eu comprar coisas pra levar. Convite aceito, parti pro mercado.

Carrinho cheio e esqueci a carteira em casa! Voltei e peguei. De volta ao mercado comprei MUITA cerveja. Cheguei em casa e lembrei: Esqueci da carne! Voltei e comprei. Mais uma vez em casa e outra lembrança: meu tão amado queijo coalho. Depois de 298 voltas entre mercado e casa consegui fechar o pacote.

Malas prontas

Roupas limpas e malas prontas, é aguardar decisão do amigo se vamos de noite ou de madrugada pra evitar engarrafamento. Deu 22h e nada dele aparecer. Liguei e ele me confirmou “Vamos de madrugada, não leu minha SMS?”. Maldita hora pro meu celular parar de funcionar. Dormimos até as 3h, acordamos e pegamos a estrada. A 90km/h, em plena Avenida Brasil uma BARATA VOADORA aparece no carro. Sabe-se lá de onde! A namorada do amigo quase pula janela afora. Abri a janela e o novo endereço da baratinha é Bento Ribeiro.

Não adiantou nada a viajem ter sido feita de madrugada, pegamos um trânsito INFERNAL em Santa Cruz. Chegamos em Muriqui por volta de 5:30 da manhã.

E assim começou meu carnaval…

1º Dia: Churrasco à base de Itaipava e bloco que deu e não deu certo

Lata de itaipava

Depois de pouco menos que quatro horas de sono, acordei com uma galera invadindo meu quarto e cantando “mamãe eu quero”. Imaginem o susto! Trauma superado, partimos pra casa de um amigo e demos início oficial ao Carnaval 2009. Brasa queimando, corações de frango no espeto, pãezinhos de alho feitos pela “tia Vânia” e uma deliciosa costela ganhando cor e aquele já saudoso aroma divino.

Apareceu a Thamy, menina que eu já saía há um tempo, aí eu pensei:

Parece que vou ficar de namorico o carnaval todo!

E veria que estava certo mais tarde.

O churrasco teve tudo que deveria: música, mulheres, futebol, mulheres, zoações, mulheres e até umas asinhas de frango caindo na brasa, além de, é claro, mulheres. O que ninguém contava era com o término da cerveja em tão pouco tempo! (tá, vai!) E lá fomos nós para mais uma maratona de 2 voltas entre casa e mercado pra reabastecer.

É final de tarde, está todo mundo de cara cheia. Agora é hora de caçar os blocos. Fomos direto pra praia, atrás do Bloco do Bigode. Chegamos lá e rola a decepção, o bloco do bigode é uma enrascada total. Ninguém comprou o abadá por causa da má divulgação. Não desistimos e fomos atrás de outro. Não há. O jeito é sentar na praia e beber até cair…

Ps.: no caminho pra praia eu perdi R$50. Morri.

2º Dia: Carnamar, Superman e “Ah! O carnaval…”

O segundo dia de Carnaval tinha um planejamento melhor sobre o que faríamos fora de casa: Às nove horas (sim, 9h!!!) da manhã estávamos em Itacuruçá para partir pro Carnamar. Dezenas de embarcações já estavam a postos quando chegamos, foi o tempo de saltar do ônibus e embarcar saveiro que (não) nos esperava.

Carnamar

O barco tinha piscina! De água verde-musgo, mas tinha. Mais uma vez zoamos ao som de marchinhas e axé em pleno mar da Costa Verde, bebemos muuuuuuita cerveja. Estáolvamos passando por Praia Grande quando percebemos que algumas embarcações voltaram: 2 coroas tinham se jogado na água e foram esquecidos!!!

Náufragos resgatados, a festa continuou. Até o momento que nossa embarcação parou: pane nos motores. “Alguma lancha lotada de gatas ae pode nos ajudar?” foi o meu pensamento. Acho que pensei alto, pois tomei um beliscão da Thamy. A galera se espalhou por várias lanchas menores e continuamos a festa até umas 16h. Quando chegamos em Mangaratiba. Desembarcamos e partimos de volta pra Muriquí. Onde chegamos a tempo para curtir um bloco (o qual o nome simplesmente não me vem à cabeça).

Por volta das 21h deixei a Thamy em casa e parti pra minha. Mas no caminho eu prometi pra ela: “prepare-se, eu venho fantasiado ridiculamente!”. Apesar de ela ter me implorado pra não fazê-la passar vergonha eu não resisti. Depois da janta e banho, me vesti com uma calça de lycra azul da tia Vânia, coloquei minha sunga vermelha por cima, a blusa do Superman e minhas Hawaianas. Fui acompanhado pelo meu amigo Felipe, vestido de Sr. Incrível, no mesmo estilo: camisa do herói e sunga preta por cima da calça vermelha! Além, claro, da máscara improvisada da blusa-preta-velha retalhada pela própria tia Vânia.

Obs: a barriga enorme dele era verdadeira.

Saí de casa às 23:10, atrasado para encontrar com a Thamy. Mega correndo pelo meio da rua eu ouvi “Olha! é o Batman!”. Minha vontade foi aplicar uns golpes “Soc! Tum! Pof!” naquele espírito sem luz.

Apesar das ligações no meu celular eu ainda parei pra tirar foto com um garotinho que (juro!) achou que eu era MESMO o Superman, mesmo sem capa.

Às 23:30 encontrei a Thamy no local marcado. Acho que só não apanhei por causa do atraso por que ela gargalhou MUITO quando me viu fantasiado.

No caminho pra praia eu pensava “Ou vou ser MUITO assediado pelas “piranhas” ou vou ser ridicularizado pelas mulheres”. O primeiro pensamento se realizou com menos de 3min na praia: um grupo de Minies me atacou gritando “Me leva voando pra Disney!” ou “Ai! Superman, mostra sua pi#a-de-aço!”. O segundo pensamento se realizou durante toda a noite, com a mulherada me olhando, fofocando entre si e rindo MUITO.

Sorte minha que eu estava (muito bem) acompanhado.

3º Dia: O mais bêbado

Acordei às 11h com uma visão do inferno: meu irmão fantasiado de colegial. Caras, ele estava um HORROR!!! Mas tinha caprichado, a namorada dele tinha emprestado tal roupa. E como ele é quase o dobro da largura dela, teve que rasgar a blusa abaixo dos braços pra poder caber! Eu só não entendi a maquiagem tão bem feita.

Meu irmão juntou uns 10 amigos que toparam sair de piranha. Me uní à zoação mas fiz uma exigência: NADA DE FOTOS. Tenho (?) uma integridade moral a zelar. Um dos malucos arrumou umas 3 bolsas térmicas e encheu de cerveja. Pelo menos o desinibidor estava devidamente armazenado e gelado.

Depois de alguns minutos nos fantasiando – Qual é a dificuldade que as mulheres têm em escolher roupa? Nós resolvemos nossos problemas tão rápido! – fomos para o bloco das piranhas. Porém, escolhemos o caminho mais longo e tortuoso: a praia. PQP, nunca vi meu irmão tão solto! – “Ah como vai ser zoado após o carnaval. A namorada dele tá registrando cada momento”.

O meu irmão é a piranha da esquerda

O meu irmão é a piranha da esquerda

Chegando no bloco nos demos conta que a Comunidade Piranheira de Muriquí não era nem um pouco pequena. Inacreditavelmente bloco alcançava dimensão inacreditável para uma cidade tão pequena! Parecia que toda a população local, e mais algumas das redondezas, tinha se reunido numa confraternização piranhal nunca vista por estes olhos!

Porém uma decepção aconteceu: a tão esperada bateria da Unidos da Tijuca atrasou horas, mas MUITAS horas! A concentração estava marcada para as 10h da manhã e a bateria saiu às 19h.

Thamy arrumou uma bebida, não sei da onde, chamada “Chokito”… Tinha mais chocolate que álcool, não aceitei a oferta, preferi minha velha e redonda SKOL.

Eu bebi, mas eu bebi tanto que em um de meus relances de luz, lembro de estar dividindo uma garrafa de Natasha com um desconhecido… Fiquei mal, de verdade. E quando acordei estava envolvo a muitas latas de MadCroc.

Dormi com a Natasha e acordei com o Jacaré, pode?

4º Dia: A despedida

A despedida

O último dia já estava programado: acordaria 12h, almoçaria com a vovó, curtiria um som na praia e viraria a madruga zoando. Mas o que eu não contava era que, na parte da tarde, alguns amigos meus apareceriam lá em casa com a caçamba de uma L200 socada de Skol, Brahma, Itaipava e água para vender no show que haveria na praia.

Esses mesmos amigos tinham organizado, junto com a prefeitura da cidade, quatro dias de show com a banda do São Nunca na praia de Muriquí. nada mais do que um motivo pra ganhar dinheiro com bebida e encher a cara. Antes de sair da casa de meus avós eu percebi um pontinho dourado reluzindo no canto da sala: era uma garrafa de Jose Cuervo. Virgem, nunca experimentada. Sem que ninguém notasse, fiz a troca do conteúdo dela pelo conteúdo de uma garrafa de guaraná Tobi. Meu diabinho do ombro direito nunca falou tão firme comigo como nesse dia…

Durante o show na praia chega meu amigo “Bolinha”, tremendo e com respiração ofegante. Ninguém entendeu nada, pegamos água e jogamos no rosto dele, demos uns tapas no rosto e nada dele se expressar. Quando estávamos quase o levando ao pronto socorro que ele soltou algo como um “guidansemorrai”. Em uníssono nós soltamos um “O QUÊ?”. Ele respondeu algo tão incompreensível quanto o grunido anterior. E mais uma vez “o quê?”. Dessa vez ele respondeu em alto e bom som: “Estou namorando, porra!”. Todos caíram pra trás. Quer dizer, o Bolinha já tinha namorado uma vez, e durou apenas 2 semanas.

Ele tinha seus 28 anos e era o solteiro mais solteiro que todos conheciam. Aquilo não foi só um baque para nós, como que para ele também. Já que se via definitivamente apaixonado pela Loira, a então, mais nova namorada dele. Mas o que me intriga é: começar a namorar no último dia de carnaval, dá certo?

Esse dia não parou por aí. Mais ou menos às 1:30h da madruga de terça pra quarta, 3 policiais se dirigiram à pick-up contendo as cervejas e disseram “O Major Blablabla ordenou que toda a praia parasse com a música, incluindo o seu palco”. Mas, como quase todo policial do RJ tem somente o fundamental completo, eles não entendiam que um show, realizado na praia, com apoio da Prefeitura, tinha alvará de todos os órgãos necessários. Foi necessário fazer algumas ligações, acordar um juíz aqui, um coronel alí, para que eles recebessem via rádio, a informação de que nós precisávamos para que eles colocassem o rabo entre as pernas e se retirassem de perto da gente. O show foi até o horário determinado: 3:30h da manhã.

Quando o show acabou e a pick-up se recolheu, fomos para o Bar do Bigode – sim, o mesmo do bloco que não deu certo – E compramos umas cervas pra fechar a noite.

Como eu iria embora nessa mesma madrugada, eu havia falado com a Thamy que ela ficaria comigo até as 6h da manhã. Bom, eu lembro de chegar na casa dela umas 4:30h e sentar na escada em frente. E quando percebi, estávamos acordando agarrados. Faltavam 10 minutos pras 6h. Dei 2 beijinhos nela e saí correndo pelo meio da rua que nem um tarado pra não perder minha carona.

Bêbado, sonolento e correndo pelo meio da rua: realizem.

Quarta de cinzas: “Acaboooou, a-ca-bou!”

Cheguei na casa do meu amigo e vi que o carro não estava na frente da casa. Fiquei desesperado e sentei no muro, mas não demorou muito para que o pai do sujeito surgisse e me chamasse pra tomar um café da manhã. O Telão – sim, isso é um apelido! – ainda estava dormindo. Eram 6:40h quando entramos no carro. Meu amigo estava apressado. Pediu que fechássemos as janelas e apertássemos os cintos. Ele fez 140km/h na  Rio-Santos. Chegamos em casa em pouco mais de 1h.  Meu instinto no sono foi: tirar a roupa, tomar banho e cair na cama. Dormi por mais de 15h nesse dia.

Acordei agora pouco para terminar de escrever esse relato. Desativei o “Estou em férias” do GMail e estou aproveitando pra colocar os e-mails em dia.

Balança: 76kg.

Observações Finais

  1. Levem a sério neste artigo quando dizem “quem conta um conto, aumenta um ponto.”
  2. SALGUEIRO É O CALDEIRÃO!!! SALGUEIRO É O CAMPEÃO!!!

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  • esse Telão é um japa?

  • Cara, que loko, vc descreveu cada detalhe do que passou por lá…. muito bom… já tive meus carnavais com muita aventura assim, mas hoje estou bem mais tranquilinho… ehehh, abraços

  • @Leandro, não cara. É afrodesc… pow… eh um negão. =)

    @Allan Bic Jr. brooow.. e tu não sabe como foi dificil lembrar… afinal, bebidas rolaram…

  • Diogo P Rechwan

    Muriquí já teve seu carnaval, por sinal maravilhosos!!!! Fantasiados ao som de muita marchinha…hoje não passa por um baile funk a céu aberto!!!! Gostei muito do relato q fez… coincidentemente, a foto tirada da rapaziada a caminho do bloco das piranhas, foi tirada quase em frente a minha casa…. (Rua Rio de Janeiro)….rsrsr

    1 abraço….

    • Anônimo

      Achei seu comentário ridiculo fui ontem eu Muriqui e estava tendo pagode e samba d+

  • @Diogo, é verdade. Mas como eu costumo dizer: quem faz o momento são os amigos e não o lugar 😉

  • Andrea

    Cara, Muriqui é assim… no carnaval a gente quer ir pra outros lugares. Vai. Mas quando passa o carnaval aqui…histórias pra contar e rir não faltam. Muriqui não é conhecido(?) pela praia liiiiimpa, pela gente excessivamente bonita(?) mas sim pela receptividade e amizade fácil que se faz nessa cidade! Seja sempre bem vindo a cidade!!!! Aliás conheço o Bolinha!!!

  • Igor Castelano

    Muriqui…que saudades…
    Passei muito bons momentos nesse lugar.
    Puxa…como o tempo passa rápido.

  • eu

    porra foi foda eu ter ido para lá,mesmo com a patroa, fiquei mui loco no carnamar, n vo me identificar pq o passado e negro, mas como vc falo essa porra desse lugar ter uma classe menos favorecida e só pensa em funk, é muiviajem o lugar é pica.

  • rodrigues

    poxa gente nao moro no brasil mais pelo q viu vou para carnval de 2011 keria saber como faço para aluga uma casa em muriqui?