Champagne, Prosecco e espumante

“Qual o nome certo, Champagne, Prosecco ou espumante? Veja a história de cada um, quais o Brasil produz e quais são as regras pra cada nomenclatura. Veja qual é o seu favorito e debata com a gente.”

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O champagne sempre foi uma bebida cercada de glamour: usado para brindes em ocasiões importantes, esbanjado sem pena por pilotos de Fórmula 1 no pódio, quebrados no casco de novos barcos, iates e navios recém batizados. Além disso, a indústria das festas de casamento revelou outra propriedade importante: é a bebida preferida da mulherada, que enxuga as tacinhas sem cerimônia e quando se dão conta, estão ali rindo a toa à mercê de qualquer cantada.

Champagne? Prosecco? Espumante? Fudeu!

Mas aí você vai naquela festa chique, você vê o garçon passando com a bandeja ele te aborda com a pergunta: “Aceita uma taça de prosecco?”. E aí você ouve um convidado dizer “uma delícia esse espumante!”. E você se pergunta quem é que está misturando as bolas.

Existe diferença entre eles? Qual é?

Na verdade, champagne e prosecco (italiano), assim como a cava (espanhola) e os lambruscos e astis (também italianos) são vinhos espumantes. Os vinhos espumantes são quase tão antigos quanto os vinhos “comuns”: produtores gregos e romanos descobriram que se adicionassem açúcar aos seus vinhos, eles ganhavam nova vida e refrescância com as borbulhas ao serem consumidos no ano seguinte.

Quem no entanto começou a definir um padrão de como fazer vinhos espumantes foi o monge Don Pérignon, na região francesa de Champagne, no século XVII. A técnica empregada consistia numa segunda fermentação do vinho branco dentro da própria garrafa, que por conta da sua origem ganhou o nome de método champenoise. Uma parte trabalhosa do método: todo dia alguém deve girar cada garrafa ¼ de volta, para prevenir acúmulo de borra. Imaginem fazer isso todo dia numa adega com milhares de garrafas?

Produção de champagne, processo simplificado

Champagne no casamento

Créditos:  Keda.Z Feng

Por conta disso, outros produtores simplificaram o processo: ao invés da segunda fermentação acontecer dentro da garrafa, o vinho seria fermentado em enormes tanques de aço inox, sendo então engarrafados sob pressão a fim de não perder as borbulhas. O método ficou conhecido como Charmat por conta de um dos pioneiros em sua execução, o francês Eugene Charmat. Para muita gente, os espumantes feitos com o método Charmat tem qualidade inferior aos feitos pelo método tradicional. Sinceramente? Tenho minhas dúvidas… Muitos outros fatores influenciam na qualidade da bebida.

Legal, mas você ainda não disse qual é a diferença…

Calma, to chegando lá! Os produtores da região de Champagne, percebendo o valor agregado do seu método a seu produto, criaram um selo de denominação de origem: só os produtores que seguissem aos padrões por eles definidos teriam a garantia da qualidade. Mais que isso: só os espumantes produzidos na região de Champagne podem ter esse nome. E a coisa é séria: outros vinicultores franceses fazem espumantes, mas que não são chamados de Champagne, como os Crémants por exemplo.

Assim, outros produtos seguiram a mesma receita e ganharam suas denominações. Os espumantes espanhóis produzidos na Catalunha pelo método champenoise são chamados de Cava. Já os feitos por lá pelo método Charmat são chamados de Gran-Vas. Na Itália, cada região tem o seu espumante. Os mais conhecidos são: o Prosecco, feito na região do Veneto usando a uva de mesmo nome; lambrusco, espumante rosé feito na região da Lombardia com uvas de mesmo nome; e Asti, feito na região do Piemonte com uvas do tipo moscato bianco.

E como é feito aqui no Brasil?

Champagne na F1

Créditos: Wolfram R

Aqui no Brasil, os principais produtores utilizam ambos os métodos. Os espumantes feitos pelo champenoise costumam ser um pouco mais caros, mas também são melhor avaliados pelos especialistas. Como exemplos, o Cave Geisse Nature (meu espumante nacional predileto), o Chandon e o Miolo Cuvee Milesime. No entanto, temos também bons exemplares nacionais feitos com o método Charmat, como os da Salton e da Valduga.

Ok, mas pra quê eu preciso saber de tudo isso?

Conhecimento nunca é demais, certo? Fora isso, lembram lááá no primeiro parágrafo que eu disse que os espumantes são a bebida predileta da mulherada? Então, saber um pouco mais pode até ajudar no approach de caçadores e caçadoras. Sem contar que, por conta desse sucesso, champanherias proliferam nas principais capitais brasileiras. Normalmente, são espaços bem legais e bastante propícios para pessoas à procura de pessoas.

Mas isso fica pra outro post…

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