Conto: Robalo, o apaixonado

“Um conto de verdade, em que tudo se resume a combinação improvável entre peixes e alguns tipos de vinhos.”

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Eis que naquele espaço frio, como quem se deita no gelo sem nada sentir, estava ele: O Robalo. Andava triste, com aquele seu famoso olhar de peixe morto, de boca semi-aberta entre seus pares, e de pensar que já havia sido macho robusto, grande mesmo este robalo. Macho daqueles que nadam, nadam, nadam e… Nada m.

Sem mais esperar da vida vivia naquele pequeno aquário, naquela pequena peixaria daquele pequeno mercado, na pequena esperança (que morre depois do peixe pequeno), de sentir ainda aquela leve sensação de liberdade de quando nadava em mares abertos. Nosso Robalo sabia que, comparado ao mar, tudo é pequeno.

Tempo vai, tempo vem

Entre seus devaneios, passou mais um daqueles carrinhos metálicos, cheios de iguarias desconhecidas empurrado por dois daqueles seres estranhos de olhos juntinhos. Parou mesmo em frente, e num lapso de memória, Robalo a viu

Freisa nascera em piemonte a 4 verões atrás, Repousava dentro do carinho a espera de passar o resto de seu tempo em uma adega escura, fria e úmida. Pouco tempo aliás, nunca fora propensa ao envelhecimento, ela era Freisa D´Asti, leve, frisante, feliz.

Entreolharam-se. Apaixonaram-se.

Peixes apaixonados

Robalo podia não saber nada sobre aquele povo, mas sabia que partilhar uma refeição com Freisa seria sua última aventura. Tomou todo o impulso que pôde, se chocando contra a parede do aquário. Robalo sabia que fazemos coisas estúpidas por amor. Ou que o amor nos faz estúpidos, dá no mesmo. O resultado foi Toc.

– O pexeira! Dá-me este robalito, se faz favor. E levo vivo.

Pra já que ta gordo

Ele havia conseguido. Foi amor a primeira vista. Muito se divertiram a discutir a grandeza do mar a refletir estrelas, ante os raios de sol do firmamento a bailar as vinhas ao vento. Passavam as sessões de achocolatados a rir um para o outro, assim como quem diz. Tiravam graça do arroz japonês, pequenino e esticadinho, se é que me entendem, e, entre uma cerveja e outra, literalmente, os olhos do robalo brilhavam como espelho, perdidos no rótulo de Freisa. Se Robalo tivesse dentes, teria sorrido.

Quando chegaram ao caixa, Robalo se declarou. Gostaria de partilhar sua refeição com Freisa, a razão da sua vida. Mas ela então lembrou-se do inevitável, feita de uvas tintas seria impossível conjugar os dois. Vinho tinto não combina com peixe. Ainda assim ela o ouviu. E o amou. Mas efervescentemente pequenas borbulhas desprenderam-se de si enquanto falou a verdade sobre seu futuro.

O famoso amor platônico

Robalo chorou, mas dentro dum saco plástico com água, ninguém viu. Viajaram em sacolas separadas. O amor platônico entre os dois jamais poderia existir.

Chegaram. Fresia, amargurada por ser tão feliz e tão triste no final de sua vida, mal prestou atenção a sua volta, viu Robalo ser posto perto da pia, ao lado de um grande livro e culinária que a mulher de olhos juntinhos lia atentamente. Sua visão foi obstruída por alguns segundos, e já imaginava ir para aquela velha adega, ou para um bebum qualquer, para ser bebida pelo gargalo, tamanha era sua frustração com a vida.

Mas neste instante pareceu muito intrigada, olhava para o Robalo e a expressão que esse tinha deixava aquela pequena cozinha iluminada, muito mais iluminada que as pequenas abat-a-jour espalhadas pela casa. Entendeu logo a seguir.

Jeferson! Vou fazer Robalo assado, meu livro diz que Fresia com Robalo assado faz o casamento perfeito!

Afinal até iriam se casar.

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