Ensaio sobre a churrascaria

BotecoCréditos: Marcos Gagliardi

Fala, sedento!

Se tem uma coisa que eu aprendi a fazer bem nesses anos de idas a bares, restaurantes, botecos, pés sujos e biroscas – além de beber, é claro – foi prestar atenção nos frequentadores destes locais. É muito interessante fazer isso e ver as mais diferentes reações e manias dessa gente.

É claro que nem tudo se resume a barzinho. Tem aquelas vezes em que a fome aperta e você acaba cedendo àqueles pecados mortais do exagero e vai parar em uma churrascaria. Aí é que a coisa fica interessante e você vê de tudo: rico, pobre (bancado pelo rico), emergente, dondoca, brega, chique, gente sem modos e por aí vai. É sempre bom ver que tipos de mania essas pessoas têm quando estão à mesa.

Linguiças e frangos…

Vida de Merda...

Vida de Merda...

Créditos: seannibal

Já repararam na cara do garçom que serve as linguiças? Como uma regra oculta da sociedade, todo mundo sabe que aquele monte de salada do buffet e as linguiças são servidas só para fazer você perder o apetite logo. Ele também sabe disso, mas não consegue evitar ficar meio cabisbaixo toda vez que ouve um “não” e tem que sair procurando outra mesa para servir.

A mesma coisa acontece com o cara que serve o frango. Deve existir até um tipo de punição. Algo do tipo: “Ontem você não se saiu bem, vai servir linguiças!” Se o mesmo sujeito fica para servir o frango também deve ser o último passo antes da demissão por justa causa.

Sorria, você está no PdB!

Assim é mole né patrão?

Assim é mole né patrão?

Créditos: ghstil

Os das carnes nobres, ao contrário, estão sempre animados. São muito requisitados, anunciam o nome da carne bem alto e fazem gracinhas com os clientes. É verdade! Notem da próxima vez que forem a um lugar como este que eles sorriem muito mais do que os outros.

Você deve estar pensando:

O que o Jeremy quer com esse papo de churrascaria e essa viadagem de reparar em garçom?

O onde eu quero chegar é que o melhor sempre vem entre uma fatia de filé ao alho e uma picanha nobre ao ponto: as bebidas!

O ponto chave: servir churrasco vs. servir bebidas

Quando falamos em atitudes de quem serve em uma churrascaria, nada se compara à pessoa que serve as bebidas. A roupa é diferenciada (pode ver que é sempre o mais chique, ao lado da menina das sobremesas), o carrinho é cheio de sacanagem e aquele barulho das garrafas batendo umas nas outras soa quase como um hino para quem aprecia uma(s) boa(s) dose(s).

Garçom servindo mulherCréditos: Jane Williams

Você levanta o braço e lá vem aquele carrinho, cheio de delícias e possibilidades de misturas inusitadas. Você até perde o foco de que está ali para comer carne e fica um tempo pensando no que vai beber. Como bom apreciador de cachaças, vou direto para a caipirinha para iniciar. Acompanho desde o corte do limão (cuidando para que não fique nenhum bagaço para amargar) até a quantidade certa de gelo. Aquela vigorosa chacoalhada na coqueteleira já vai dando água na boca.

Aí pronto. Abre ainda mais o apetite. Na próxima passada, sempre escolho umas misturas malucas para ver no que vai dar. Da última vez foi kiwi, maracujá e manjericão com uma dose bem servida da sempre excelente cachaça Germana. Se quiser experimentar essa dica, cuidado para não exagerar no açúcar e poder notar o sabor característico do manjericão.

Se beber, não dirija

Quero minha mãe...

Quero minha mãe...

Créditos: Bryan Thatcher

E assim vai, entre uma maminha e uma chuleta, sempre sobra espaço para uma boa… caipirinha (sou excelente nas rimas!). Até chegar a hora em que o estômago pede arrego e, como sempre, depois dessa orgia alimentar e de todo esse álcool pego um táxi e vou para casa relaxar e prometer para mim mesmo que nunca mais vou dar a desculpa de arrumar assunto para escrever a minha coluna e cometer tamanho exagero.

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