Gringos, Lapa, mineirada, cambista caridoso, Pearl Jam e Jeremy Joseph

Fala, Sedento!

Estava eu no trabalho (sim, o bon vivant aqui também tem seus dias de labuta) quando um amigo me fez uma proposta irrecusável: me chamou para ir ao show do Pearl Jam no Rio de Janeiro. Ele, viciado que só, já havia comprado para os dois shows de Sampa e ainda estava nesse pique todo. Comprei o ingresso e começamos a procurar hotel para ficar. Depois, conversando sobre outras viagens, coisas que aconteceram nelas e pessoas que conhecemos, tivemos a grande ideia de procurar um albergue. Sempre tem gente legal e que gosta de sair pra zoar tudo. Perfeito pra nós.

Rio, Cidade Maravilhosa dos albergues

Vista Rio de Janeiro a noite

Belo visu, não?

Créditos: elmistihostel

No Rio, tem uma penca de albergues para escolher. Pensamos em um que fosse perto da praia, mas que fosse fácil para se locomover usando o transporte público. Achamos um em Copacabana que era perfeito. Muito bem avaliado (o segundo melhor da cidade, de acordo com sites especializados), pertinho da praia e da estação do metrô. Reservamos.

Na sexta-feira antes do show eu fiz o check-in sozinho no albergue (meu amigo só chegaria no domingo, dia do show, pela manhã). Me instalei, troquei de roupa e já fui direto pro bar, para receber a minha caipirinha de boas vindas, cortesia do albergue. O barman me fez uma excelente caipirinha. Aprovadíssima.

Albergues e bebidas com cachaça, óbvio

Hóspedes de um albergue

=D

Créditos: elmistihostel

Conversamos sobre bebidas com cachaça, não resisti e acabei indo parar atrás do balcão para mostrar algumas misturas que sempre fazem sucesso onde vou. Enquanto eu ensinava a fazer o drink Lambada, apareceram dois malucos da Inglaterra, uma dinamarquesa, uma alemã e uma finlandesa no bar e ficaram olhando eu preparar, usando:

  • Duas doses de cachaça (aqui você pode usar uma dessas de produção em massa sem dó)
  • Uma dose de leite de coco
  • Duas colheres de leite condensado
  • Calda de cereja
  • Gelo à vontade

Coloquei a cachaça, o leite de coco, o leite condensado e o gelo em uma coqueteleira, chacoalhei bem e servi num copo reto que já havia preparado antes com a calda de cereja escorrendo pelas paredes. Pode até parecer que sim, mas não fica muito doce, é muito refrescante e bate que é uma beleza.

Grande Lapa, grande Rio Scenarium

Frente Rio ScenariumCréditos: Claudio Lara

Nessa de ficar brincando de barman, os gringos já se empolgaram, deu a hora do bar fechar e fomos esticar lá no Rio Scenarium, na Lapa. Chegando naquele bar enorme, lotado e com vários ambientes, a gringalhada ficou doida. Dançando, bebendo, curtindo e dando muita risada. Ficamos lá até cinco da manhã e voltou todo mundo pro albergue feliz da vida. E eu, mais ainda. Mal cheguei e já arrumei uma galera muito doida pra me divertir.

Sabadão, churrascão…

No sábado, depois de dormir quase o dia todo, fui para um churrasco na casa de um amigo em Niterói e por lá aconteceu tanta coisa que vou deixar para contar depois. Nem imaginava que a vida do outro lado da “poça” poderia ser tão boa.

Chegou a hora do show? Não somente, mas também de cachaça!

Depósito com barris de cachaca

Bela vista hein...

Créditos: Robson Gehl

No domingo, dia do show, eu estava na área externa do albergue conversando com a alemã, quando começou um alvoroço danado de uma turma que estava chegando também para curtir o show. Eram de Minas Gerais, todo mundo muito gente fina (como não poderiam deixar de ser meus conterrâneos) e já chegaram agitando tudo.

Depois de instalados, juntaram-se a nós e tiraram da bolsa uma garrafa de Canarinha. A alemã ficou maravilhada e disse que não iria embora sem levar algumas garrafas para casa. Ficamos ali batendo papo até a chegada do meu amigo – aquele lá do começo, viciado em Pearl Jam – que também se enturmou rápido e na hora de ir, a gringa disse que queria muito ir, mas não tinha ingresso. Conversamos com ela e ela foi para tentar comprar na porta.

Vida de cambista…

Cambista contando dinheiro

Cambista fdp!

Créditos: Sergio Buratto

Ainda na estação do metrô, veio um cambista oferecer o ingresso. Como os dois pés atrás, perguntei se poderia ver o ingresso e ele disse “Claro que pode. O ingresso é verdadeiro, confere aí.” Eu olhei e parecia perfeito, original. Até aí, permanece a desconfiança. A diferença do original para o falso é quase imperceptível, certo? Mas ele foi além e disse: “É real sim. Pode ficar com ele no seu bolso.”

Aquilo estava ficando ainda mais estranho, mas eu fiquei com o ingresso na mão e disse que precisava ir até o banco para a gringa tirar dinheiro. Como haviam vários policiais perto do banco, falei para ele vir junto conosco e quando chegamos na esquina ele disse que ficaria esperando.

Banco fechado, ingresso falso? Acho que não!

Eddie Vedder com a bandeira do Brasil

Da-lhe Eddie.

Créditos: Vinicius Ramos

Chegando lá, o banco estava fechado e nós já estávamos voltando para a estação do metrô, já que sem grana, a alemã voltaria para o albergue. Chegando no lugar onde o cambista ficou nos esperando, cadê o sujeito? Você viu? Nem nós. O cara desapareceu e o ingresso estava na minha mão. Como assim, o cambista me entregou o ingresso sem receber e sumiu? Ele fez alguma promessa? Voto de desapego? Foi descoberto como falsário e fugiu da polícia?

O que aconteceu eu não sei, mas também não ficamos para descobrir. Partimos o mais rápido possível para a Apoteose, onde para nossa surpresa, o ingresso era original e a loirinha passou sem problemas.

Finalizando

Curtimos um show histórico, com a alemã bancando a nossa sede a noite toda e voltamos para o albergue felizes da vida.

É cada uma que me acontece…

Até a próxima!

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