Is bin derzafan pra dedéu

Era mais uma noite de sexta-feira, os mesmos bons amigos se encontram para ir num bar. Nessa noite havia um convidado especial, um convidado estrangeiro, direto dos bares da Alemanha para um pé sujo brasileiro.

Acontece que o irmão de um dos meus amigos estava participando de um programa de intercâmbio que funciona da seguinte forma, ele iria ficar 4 meses na Alemanha na casa de um alemão, mas antes disso o tal alemão passava 4 meses no Brasil na casa dele.

Pois bem, o alemão era um loiro meio gordinho que fumava um cigarro atrás do outro e adorava se gabar das cervejas e bares da Alemanha. Como ele não falava português e nós não sabíamos alemão, as conversas com ele eram em inglês (mesmo meu inglês não sendo grande coisa).

Nesta sexta-feira estávamos eu e mais cinco amigos decididos a dar a ele um porre daqueles que entram para história. Para tal tarefa decidimos mostrar alguns bares e bebidas do nosso querido Brasil.

A noite começa

Vamos começar os trabalhos?

Vamos começar os trabalhos?

O primeiro bar escolhido foi um boteco de um casal coreano que vende um delicioso chope carocuro (mas essa já e outra história), começamos a noite bebendo cerveja e todo tipo de bebidas que não existem na Alemanha: cachaça, xiboquinha, catuaba, caipirinha, etc. Como era de se esperar, todos ficamos bêbados muito rápido e isso nos proporcionou algo incrível, uma enorme troca cultural.

Conversamos sobre os mais variados assuntos, ensinamos algumas brincadeiras de beber, aprendemos varias canções da Alemanha de beber típicas (com uma pequena dificuldade, nós estávamos bêbados e as canções eram em alemão). Então decidimos criar uma pequena canção que fosse fácil de cantar e mistura-se português e alemão. Brilhante idéia etílica, perguntamos a ele:

Beber, cair... Levantar?

Beber, cair... Levantar?

– Como se diz “eu to bêbado pra dedéu” em alemão?

Ele nos olhou com uma cara estranha e respondeu:

-Ich bin betrunken pra dedéu.

Um bêbado dizendo em alemão algo para bêbados que não entende nada de alemão soou mais ou menos assim:

Is Bin derzafan pra dedéu

Pronto tínhamos o nosso hino, levantamos nossos copos, brindamos, bebemos, cantamos e decidimos cantar para o mundo. Saímos na rua em direção a outro bar e por todo o caminho sem parar de cantar por um minuto.

No meio do caminho tinha um trator

Sai da frente que hoje eu tô que tô

Sai da frente que hoje eu tô que tô

Então, no caminho do próximo bar passamos por uma pequena rua que estava em obra, a rua estava fechada e no meio havia um trator. Os olhos do jovem alemão ao ver o trator brilharam, ele nos disse que nunca tinha visto um. Logo como bons anfitriões era nosso dever leva-lo ao trator e tirar uma foto. Tiramos a foto e subimos todos no trator e começamos a cantar “is Bin derzafam pra dedéu” (se é que se pode chamar de cantar, pois não parávamos de repetir a mesma frase)

Eis que surge…

Mão na cabeça cambada de modafoca

Mão na cabeça cambada de modafoca

Estávamos todos felizes quando no horizonte surge uma luz e uma sirene. Rapidamente descemos do trator e andamos como se nada tivesse acontecido. Mas não teve jeito, o policial nos parou com aquele jeitinho carinhoso:

– Todo mundo com a mão na parede!

Fomos revistados e infelizmente os homens da lei não estavam de bom humor e pra completar o alemão que não falava p%#rra nenhuma de português ficou olhando sem entender nada, isso deixou os policiais irritados.

Discretamente disse para ele:

-Put your hands on the wall.

Silêncio. Mais uma vez:

-Put your hands on the wall.

Me olhou com o canto do olho e deu de ombros enquanto os policiais nos encaravam.

-Fuck cacete, put your hands on the wall!

Finalmente ele entendeu, colocou as mãos na parede e ficou calado.

E se fizerem merda de novo é cana!

E se fizerem merda de novo é cana!

Foi difícil explicar que éramos apenas jovens honestos, ébrios, mas ainda sim de boa índole que estavam realizando o singelo desejo de um amigo estrangeiro, que não obedecia por não saber nosso idioma. Depois de muita explicação e de os policiais tentarem conversar com o alemão e perceber que ele realmente não entendia nada, nos liberam com apenas algumas (severas e ameaçadoras) advertências.

Saímos tranquilamente sem dizer nenhuma palavra e com um comportamento exemplar, já que os policias estavam com o carro devagarzinho olhando se não fazíamos mais nenhuma idiotice.

Finalizando

Acho que eu não tô legal

Acho que eu não tô legal

Depois que a viatura parou de nos vigiar e foi embora, o pobre alemão meio assustado com a simpatia da polícia local ainda não havia dito uma palavra, se acalmou e disse “isso não acontece na Alemanha” sentou no meio fio e vomitou até a alma.

Acho que nosso objetivo se concretizou e o jovem jamais vai se esquecer de seu primeiro porre no Brasil.

Fica a lição “Is Bin dezafen pra dedéu”, tudo bem desde que você não suba num trator.

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