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Aproveitando a brecha do post do Dono do Bar sobre a história e origem dos Bares (ah, não leu? Então deixa de preguiça e aprenda um pouco mais sobre o universo etílico aqui), vou contar um pouco sobre a origem de alguns lugares próprios para o consumo de álcool.

Taverna, taberna, tá tá

Taverna medieval

Créditos: http://www.cervejasdomundo.com/EraMedieval.htm

Alguns textos sumérios citam a existência de lugares próprios para encher a cara – as tavernas ou tabernas (um é grego, o outro é latim), que significa “oficina”. Eram lugares gerenciados por mulheres (sim, qual o problema?), onde os cuecas iam atrás de diversão, bebida e comida.

Os gregos e romanos, para variar, também possuiam suas tavernas, que além de oferecer tudo isso que eu citei, ainda deixava a galera dormir lá eventualmente.

Outros lugares famosos eram as inns – tipo uma hospedaria – e as alehouses.

Tá, mais qual a diferença entre tudo isso?

Inn Bull and Mouth, Londres, 1806

Créditos: http://www.telegraph.co.uk/expat/expatpicturegalleries/8280608/The-history-of-the-English-pub.html?image=1

Sim, em todas você podia encher a cara. Só que as tavernas ofereciam, principalmente, comida e vinho, mas quase nenhuma cerveja. Era nas tavernas onde os moradores das comunidades se encontravam para se divertir e onde os mercadores viajantes faziam negócios.

Já as inns foram as precursoras dos hoteis e serviam muita cerveja (agora sim) e comida, e ficavam na rota dos viajantes – e geralmente não cobravam nada por isso.

Alewife.

Créditos: http://www.godecookery.com/afeast/brew/brew006.html

Nas alehouses, nada de fazer negócios! Elas eram, na maioria, casas de família onde se serviam cervejas (ales ou lagers), feitas pelas donas de casa, as alewives. Mas com a evolução das alehouses, ao tornarem-se lugares mais comerciais (começando a servir também comida), a participação das mulheres no estabelecimento foi diminuindo bem. Como a galera, nessa época, não sabia ler direito (ou nada), esses lugares eram identificados com uma espécie de mastro enfeitado com folhas.

Independence Brew Pub

Créditos: Maryanne Nasiatka

A partir do século 18, as alehouses passaram a ficar muito pop, e começaram a ser chamadas de public houses, mas como as pessoas são naturalmente preguiçosas, o “public houses” virou “pubs” (gostou dessa né?)

Ninguém mais faz reunião em bar?

Ok, tudo bem que o objetivo principal ao frequentar esses lugares era beber – bastante. Só que eles também foram palco de muitas conspirações, revoluções e decisões históricas.

Sabia que Thomas Jefferson escreveu a Declaração de Independência dos Estados Unidos em uma taverna na Philadelphia? Será que ele errou muito o rascunho? Don’t drink and write declations of independency…

Thomas Jefferson

Créditos: http://worldsfinestbeverage.blogspot.com.br/2012/03/yards-thomas-jeffersons-tavern-ale.html

Além disso a cidade de Jamestown, nos EUA, fazia suas reuniões oficiais em tavernas, entre 1660 e 1665. Pelo menos ninguém precisava sair do lugar para começar o happy hour né?

Apesar de todas essas diferenças, tavernas, pubs, inn, alehouses, todos possuiam o mesmo intuito: oferecer um lugar de atmosfera agradável e convidativa a qualquer um que queria escapar da rotina. Não é o que todos buscamos?

*As referências para a pesquisa do meu TCC encontram-se nos livros Larousse da Cerveja (Morado), The Bar and Beverage Book (KATSIGRIS, Costas, PORTER, Mary & THOMAS, Chris) e Drink: A Cultural History of Alcohol (Gately,Iain), entre outros.

Sobre o Autor

Apesar de adorar um Cosmopolitan, caiu no mundo cervejeiro depois de fazer um TCC sobre copos de cerveja na faculdade de Design de Produtos. Gostou tanto que agora é até Sommelier de Cervejas, formada pela Associação Brasileira de Sommeliers de SP. Mas continua pedindo Cosmopolitan no boteco.