galpão Mondial de La Biere 2017

Mondial de La Bière 2017 – Mandando Brasa

“Confira mais uma opinião sobre o Mondial de La Bière 2017, agora falando sobre as cervejas. O que foi bom, o que decepcionou, o que surpreendeu, o que precisam melhorar, etc.”

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Fui ao último dia do Mondial de La Bière e tive um começo de evento difícil: entrei bem cedinho e fui rodar os estandes em busca das cervejas que selecionei na minha listinha: das 37 opções, não consegui provar as 3 primeiras por motivos de “já acabou”. Tentando lidar com a minha frustração, entrei no grupo de Whatsapp do PdB e perguntei “Chefe, posso escrever um artigo esculhambando as cervejarias?”. A resposta foi simples e objetiva: “Manda brasa!”. Então aqui estou eu, mandando brasa com total sinceridade e coração aberto.

Mas eu não vou apenas chorar: neste artigo falarei também sobre as ótimas cervejas e cervejarias que eu tive o prazer de conhecer e quais as torneiras eu queria colocar a boca embaixo e estar bebendo até agora.

Como assim acabou?

copo do mondial com grafite no fundo

Já falei disso no primeiro artigo sobre o evento mas faço questão de repetir: não acho justificável que tanta cerveja acabe antes do fim do festival. Pensa comigo: o ingresso do último dia não é vendido a preços diferenciados, então eu tenho o direito de usufruir da mesma experiência de quem foi nos dias anteriores. Se uma ou outra torneira acaba ~ok~, mas eu chuto que um terço da minha lista inicial não pôde ser provada pelo mesmo motivo. Não dá para rolar um planejamento, não?

Das coisas que eu tentei tomar e já tinha acabado: Veia Latica na Realli, Mirahya da Hocus Pocus, Carvoeira e Gose Salicornia da Lohn Bier, Rosalia da Colorado, Worm Lamb Rye Storm IPA da Walls. Essas foram as que eu escrevi na minha lista, depois eu perdi a conta.

Porra, Bodebrown!

A Bodebrown é musa inspiradora de quase todos os homebrewers e todo mundo concorda que o Samuel é um dos caras mais geniais do planeta.

Não vou questionar isso. Mas, pelo amor da Deusa: se o Mondial de La Biére fez cinco edições nacionais, a Bodebrown participou de quinze, sempre com 3959305 torneiras supostamente maravilhosas, mas eu NUNCA, nem chegando no estande nos primeiros cinco minutos do primeiro dia, consegui presenciar o grande fenômeno de todas as cervejas estarem disponíveis.

No domingo, encontrei a pior situação antes vista, várias cervejas já tinham acabado. Váááááárias. Eu cheguei na sede de uma Mago de Houblon e dei com a cara na porta.

Aliás, outro ponto a reclamar da Bodebrown: a galera que serve a cerveja é muito mal-humorada e caga para a ordem de chegada das pessoas. Fico sempre com a sensação de estar pedindo um favor ao comprar uma cerveja lá. Melhor ver isso aí para não parecer que o sucesso subiu à cabeça, né?

Eu Tomei, Mas Não Gostei (ou não me surpreendi)

Antes de começar a falar sobre as cervejas que eu tomei, preciso explicar o que eu buscava: minha lista priorizava coisas que eu não conhecia, cervejarias estreantes e os sabores diferentes. Daí, ao encontrar com amigos, eles acabavam me indicando uma ou outra coisa, principalmente entre as premiadas no MBeer Contest Brazil (um concurso livre de categorias que acontece dentro do evento). Então acabou que provei de tudo um pouco.

Devo reconhecer que não provei nada horrível, no máximo sem graça ou não condizente com a minha expectativa.

Passeando pela Wits

Com as wits, eu não fui muito feliz: a Wit com Ervas de Gim não é nada demais e uma das cervejas “menos gostosas” criadas pela Colorado. A wit com alecrim Maryangel, da Angels & Devils não é ruim, mas também não surpreende.

IPAs: Muita Lactose, Pouca Surpresa

Não lembro de outra edição com tanta New England IPA. Nada contra. Provei a NE IPA com Cajá da Daoravida, Akaya. Achei apenas OK. Dei mais uma chance provando a Minine, uma Juicy Session IPA. Ok também. E só.

Fiquei levemente brochada com a Milk IPA Velvet Rainbow. Era boa, mas acabei acostumada a esperar cervejas espetaculares da Oceânica. Fora que tanta cerveja com lactose no evento fez a brincadeira com o Milk perder o impacto.

Outra IPA com lactose, a Uai So Serius, também não se destacou na multidão.

Meio cansada das “IPAs lácteas”, fui ao estande da Labirinto, que eu havia conhecido há dois dias atrás e curtido. Bebi uma American Rye IPA (o centeio também comeu solto nesse Mondial). Não bateu também.

Novidade Sim, Surpresa Não

Como eu disse antes, umas das minhas intenções principais era conhecer cervejarias. Priorizei as estreantes e as menorzinhas. Tomei ótimas cervejas, mas algumas tem muito potencial de melhora: a Vienna Hoppy Lager (que pra mim é uma IPA mesmo) da Capital do Samba (Cervejaria de Raiz) não me agradou, principalmente pelo retrogosto.

Não curti e não consegui sentir o coco queimado da Tranquilona (Gaspar Family).

Fui ao estande da Old School atrás da Red Light, que pelo cardápio de doses do evento, era uma Rye (de novo!) IPA com Hibisco mas no cartaz constava como Saison. O carinha que me atendeu não soube dizer qual a resposta certa e eu decidi tomar de qualquer forma. Era Saison. Não achei boa.

Precisamos falar sobre Jeffrey

stand jeffrey

Fonte: Agenda Carioca

Ela chegou no sapatinho, mas desde o ano passado se destaca como uma das estrelas do evento, principalmente pela criatividade dos estandes. No ano passado a piscina de bolas e o fliperama com Street Fighter me deixaram feito pinto no lixo. Esse ano eles tiveram a ideia de ter três estandes bonitões espalhados pelos armazéns.

Além dos estandes bonitos, os atendentes são simpáticos, bem articulados e atenciosos. Ah, e eles entendem de cerveja, o que nem sempre acontece numa equipe grande. Pode perguntar que eles sabem.

MAS… o principal é a cerveja, né? É. Pois é, você chega no estande e se depara com torneiras com as combinações muito loucas. Sente só:

  • Caju, castanha de caju, castanha do Pará, folhas de limão kaffir e pimenta malagueta;
  • Suco e polpa de maracujá, pimenta caiena, gengibre, cominho e manjericão;
  • Manga, gengibre, cardamomo, folhas de limão e pimenta do reino;

Eu não me surpreenderia se a Jeffrey lançasse uma Stout de feijoada, ou uma IPA de estrogonofe e batata palha. Se alguém um dia fizer isso, vai ser a Jeffrey.

Mas falando sério: eu ADORO receitas criativas. Esse lado criativo é o ponto forte deles. Minha queixa é outra: muitas vezes eu tomei uma Jeffrey cheia de frutinhas e temperos e eu não consegui sentir nenhuma dessas coisas. O paladar fica confuso e a gente fica frustrado.

É isso. No ano passado eu experimentei um monte dessas receitas criativas e não curti nenhuma. Esse ano, a Jeffrey passou batida na minha lista, mas acabei seduzida pela promessa da torneira que eles chamavam de Maestro: castanhas, caju, folhas de limão, pimenta. Seduzida e logo depois desiludida. Sinceramente, a Jeffrey ainda não superou a Niña.

E eu não posso deixar de reclamar de mais uma coisa: essa doideira de dizer que o estilo da cerveja é “Livre”. Livre? Como assim, livre, amigo? Desculpa, mas tem centenas de estilos de cerveja e milhares de derivações.

É muita sacanagem falar que o estilo é “Livre” e não dar nenhuma pista sobre o que eu vou beber. Prefiro que me digam que a cerveja é uma coisa doida tipo “Dark Light Session Rye Lacto IPA” do que simplesmente dizer que é livre. Aff…

As Boas Surpresas!

Agora chega de chorar e vamos elogiar! Felizmente eu provei muuuuita coisa boa e tenho a satisfação de poder rasgar seda agora.

O Sebrae É Sempre a Boa!

Sempre encontro coisas boas nos estandes do Sebrae, dessa vez não foi diferente. Tive surpresas ótimas tanto no carioca quanto no gaúcho.

lotus

Fonte: https://web.facebook.com/LotusCervejaria/

No estande do RJ, provei a Belgian Blond Ale com laranja e pimenta malaguetinha da Lótus. Bebi, gostei, mas a surpresa veio depois: enquanto eu conversava com o Rodolfo, um dos diretores da cervejaria, senti uma ardência deliciosa que me dava vontade de tomar sempre mais um gole.

ambarina

Fonte: https://web.facebook.com/ambarinabierbeer/

Já no Sebrae gaúcho pude conhecer a cervejaria Ambarina Bier & Beer e sua Hoppy Fruit Beer (muito bem descritiva) com Umbu/Cajá & Dry Hop. Surpreendente.

cerveja babel

Fonte: Beer Art

Do ladinho da Ambarina estava a cervejaria Babel, onde eu troquei ideia com o cervejeiro Humberto e conheci a Cornucopia, uma Saison com centeio, trigo, aveia e pimenta da Jamaica. Muito boa.

Cryo Hops, Essa Novidade Maravilhosa

Talvez eu esteja meio atrasada, mas não conhecia a tal lupulina ou cryo hops. Explicando de forma muito simples, é um concentrado de lúpulo extraído a baixas temperaturas. O resultado é um pó que confere maior rendimento, aroma e redução de trub.

Pois é, aparentemente o negócio funciona, porque muitas cervejarias do Mondial estavam usando e as cervejas estavam boas mesmo!

Dentre elas, vale mencionar a Ekäut, uma cervejaria pernambucana que mostrou a que veio. Era a última do evento, em termos de localização, mas passou a frente de muita cervejaria cascuda com a sua NE IPA (com cryo hops!) Hop Beat.

imigracao cryo hops double ipa

Fonte: Imigração 1824

Outro achado maravilhoso adepto do cryo hops foi a cervejaria gaúcha Imigração 1824 e sua vizinha Roleta Russa.  A Double IPA da Imigração é espetacular. Vale falar também que os cervejeiros Julio e Laura foram super atenciosos e responderam com paciência todas as minhas perguntas sobre cryo hops e outras coisas.

O Rio de Janeiro Continua Lindo

Mais uma vez, o Rio não decepcionou e as cervejarias do estado me alegraram demais.

lagos cervejaria

Fonte: https://web.facebook.com/lagoscervejaria/

A Lagos, de Saquarema, conquistou meu coração fazendo o que parece simples, mas não é: uma Pumpkin Ale com gosto de abóbora (de doce de abóbora, o que é melhor ainda) e uma Berline Weisse com Tamarindo que tem gosto de tamarindo, sendo essa última uma parceria com a 2 Cabeças.

Quem gosta de Pumpkin sabe que não é tão fácil achar um bom exemplar do estilo. Provar a boa Pumpkin da Lagos me encheu de coragem para tentar mais uma, então fui eu para o estande da Marmota pegar uma Santa Abobra.

Já conhecia a Marmota Brewery dos food trucks da vida e nada havia me chamado atenção, mas o Mondial mudou essa realidade para sempre: a Santa Abobra (parceria com a Hija de Punta) era ótima, mas foi a Herbívora que pegou meu coração: uma Gruit Beer (não tem lúpulo, o amargor e aroma são dados por uma série de ervas, como mate, artemísia, anis estrelado, canela em pau, noz moscada, páprica picante e erva doce.).

Nunca havia provado nada no estilo, e se alguém me contasse que eu iria gostar tanto de uma breja sem lúpulo eu não acreditaria. Quem diria, rapaz…

marmota

Fonte: https://web.facebook.com/marmotabrewery/

Continuei na Marmota, bati um papo legal com o cervejeiro Rodrigo e ele me aconselhou provar a De Leite, uma Toffee Stout produzida de forma colaborativa entre a Marmota, a Verve e a Madá. Tinha a onipresente lactose, doce de leite durinho e coco queimado. Pense que espetáculo!

rock bird

Fonte: https://web.facebook.com/RockBirdBeer/

Continuei meu tour pelas cervejarias cariocas e fui ao estande da Rockbird para provar a NE Brett IPA The Bird is The Word, e essa foi uma das minhas melhores surpresas do festival. Eu não simpatizo muito com as Brettanomyces, mas eu sei que é frescura minha e sempre insisto. Porém, essa foi a primeira brettada que eu achei realmente maravilhosa e poderia beber litros! Segundo o cervejeiro Pedro, que me atendeu no estande, o segredo é fermentar direto com a Brettanomyces, e não utilizá-la na fermentação secundária, que é o que se costuma fazer. Adorei!

Para finalizar a lista de surpresas: a Suburbana me fez engolir as palavras “eu não gosto de sour” com a Lado B, uma Sour de Seriguela. Fantástica! Já a Noi, que nunca foi minha cervejaria preferida, esfregou na minha cara a Cioccolato Barile, uma Wood Aged Imperial Stout que me arrisco a dizer que foi a melhor cerveja envelhecida que eu já provei na vida. Como eu adoro quebrar a cara desse jeito!

E o Trofeu de Melhor Cervejaria Vai Para…

Ano passado eu caí de joelhos pela Jazzy da Green Labs. Claro que eu fiz questão de voltar no estande para tomar minha queridinha com infusão de abacaxi e pimenta. O infusor não chegava de jeito nenhum (que vacilo, hein?) e voltei lá quatro vezes até conseguir, afinal de contas, não é todo dia que eu tenho uma Jazzy com infusão para tomar.

MAAAASSS, esse ano a Green Labs perdeu o posto de minha preferida no Mondial. Agora quem ocupa esse lugar no meu coração é a 3 Cariocas! Uma cerveja boa atrás da outra! Eu queria morar no estande deles!!!

3cariocas

Fonte: Cervejas Artesanais do Brasil

A #WTF, uma Double IPA de Tangerina e Melancia tem o melhor cheiro do mundo, é muito fácil distinguir os sabores e o lúpulo na medida certa não deixa a cerveja ficar enjoativa.

Já a Space Cake é uma das IPAs mais autênticas que eu já bebi: nibs de cacau, baunilha (que também foi muito usada esse ano) e a famigerada lactose harmonizaram lindamente. E que cheiro!

A Quebra-Cabeça I era uma Imperial Sout com cacau, baunilha, morango e (de novo!) lactose. Foi uma das campeãs do concurso e mereceu com total certeza!

A Sour Du Leblon, com baunilha e manga era coisa de loko! Palavras de quem “odeia sour”.

Enfim, não teve NADA que eu provasse no estande da 3 Cariocas que não fosse sensacional. Tomara que tenha um armazém só de 3 Cariocas no ano que vem!

E o Balanço Geral?

Mesmo passando raiva no início do evento porque toda cerveja que eu queria tinha acabado, acho que de uma forma geral a qualidade e a variedade das cervejas aumentaram bastante de um tempo para cá. Tive a impressão de que as novas cervejarias marcaram presença de forma mais incisiva e trouxeram cervejas ainda melhores.

No resumo: FOI FODA! E que venha o Mondial de La Bière 2018!

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