Cadê minha cerveja? Um TCC sobre copos de cerveja – Parte 4

No meu último post eu contei sobre o surgimento de lugares para beber. Com tanto lugar assim para tomar umas, em alguns países a galera acabou exagerando um pouco.

The Doings of Drink.

Doings of drink

Créditos: Telegraph

Gin, por favor!

No Reino Unido, a moda era beber gin, que era conhecido como bebida dos pobres. De tanto a galera beber esse destilado, o governo resolver baixar uma lei, em 1830, chamada Beer Act of 1830, incentivando a produção e venda de cerveja. Isso foi uma tentativa do governo em frear o consumo do gin, que deixa o ser muito mais louco que a cerveja, afinal, o teor alcoólico é bem maior do que grande parte das cervejas.

Essa lei acabou ajudando na disseminação dos pubs por lá, que continuam fortes até hoje.

Tio Sam muito louco

Cartoon com Tio Sam

Créditos: Prohibition

Nos EUA foi um pouco mais tenso. Todo mundo (ou quase) já ouviu falar da Lei Seca. Ela resultou, em grande parte, de um choque cultural que começou a tomar forma com a chegada ao país dos primeiros imigrantes ingleses (e muito conservadores) e imigrantes de vários outros lugares, com hábitos muito diferentes e que bebiam horrores para os padrões da época.

A bebedeira desvairada, muitas vezes, ligava-se com prostituição, baderna e até mesmo crime, causando muitos problemas sociais. Isso fez com que muitos grupos antialcoolismo fizessem pressão no governo americano para frear o consumo de álcool.

Bebê com garrafa de cerveja

Achô!

Antes da Lei Seca, surgiu o movimento da Temperança, que colocava a culpa de todos os males americanos na bebida. Esse movimento exaltava a moderação das bebedeiras pelos americanos.

De inúmeras restrições ao consumo veio a proibição total da produção, venda e distribuição da bebida, em 1917, com a Décima Oitava Emenda, aprovada pelo Congresso americano. A lei foi ratificada em 1919 e passou a valer mesmo no ano seguinte, seguida pela maioria dos estados americanos. Não era proibido beber – se você tivesse bebida em casa, ok, mas dificilmente ia conseguir comprar mais em algum lugar quando acabasse.

A Lei Seca resolveu tudo, só que não

Proibir a produção, venda e distribuição de bebidas não adiantou nada. Surgiram inúmeros lugares clandestinos vendendo bebida, os famosos speakeasies. Estima-se que havia uns 32.000 speakeasies em Nova York em 1929. Era comum, antes de ir jantar em algum restaurante (onde não podia vender bebida), dar uma passadinha em um speakeasy e tomar uma.

Speakeasy real – 1920

Actual Speakeasy 1920s

Créditos: Tallahasseegrapevine

As pessoas mais felizes nessa época de proibição foram os gângsters, que ganharam uma grana contrabandeando bebida pra lá e pra cá. Os assassinatos, nessa época, aumentaram 30%.

Em 1929, veio a Grande Depressão, ou o início do fim da Lei Seca. Como a crise estava brava, surgiram muitas críticas que apoiavam seu fim, pois liberar as bebidas ajudaria a gerar empregos e movimentar a economia.

Enfim, em 1933, o presidente Franklin Roosevelt liberou geral com 21ª Emenda, que cancelava a 18ª.

Acho que será uma boa hora para uma cerveja

Disse titio Roosevelt, quando enviou para o Congresso a revogação da Lei Seca.

E quando não é?

*As referências para a pesquisa do meu TCC encontram-se nos livros Larousse da Cerveja (Morado), The Bar and Beverage Book (KATSIGRIS, Costas, PORTER, Mary & THOMAS, Chris) entre outros.

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