Carnaval do Rio de Janeiro

“Veja como foi o Carnaval do Rio de Janeiro nesse ano de 2015. Uma postagem bem após o carnaval, mas com sua explicação bem definida. Confira o melhor carnaval do Brasil.”

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Talvez você deva pensar “nossa, não é muito cedo para falar sobre carnaval?” ou então “não está um pouco atrasado pra falar sobre o carnaval desse ano?”. Descarte a primeira opção, não falarei sobre o carnaval do ano que vem, falarei sobre o carnaval do Rio de Janeiro desse ano. Aliás, falarei sobre o carnaval, fodasse o tempo.

Mas por que falar sobre o carnaval do Rio de Janeiro agora?

Às vezes pode parecer meio estranho, mas não é não. Mas começarei a falar sobre outro ponto sobre os meus últimos carnavais pra depois cair nesse último carnaval. Muitos que me conhecem sabe o quanto eu amo essa data, carnaval eu acho sensacional, a energia é boa pra cacete, galera zoando, bebendo, feliz, aproveitando, seja na rua, seja em blocos, seja na Sapucaí, seja em micareta, onde for, tem sempre sorrisos, bebedeiras e experiências memoráveis.

Fanfarra Black Clube

Créditos: Lambe Lambe

Eu passei quatro carnavais seguidos em Ouro Preto, que inclusive já postei aqui sobre. Foram carnavais épicos, principalmente porque eu participei na mesma república nesses quatro anos. Ninguém nunca tinha passado quatro anos seguidos numa mesma república, somente alunos. Pois bem, fiz isso na República Sua Mãe (belo nome, não?).

Mas e o carnaval do Rio de Janeiro?

Sim, ia chegar agora nele. Apesar de ser carioca, nunca tinha passado um carnaval na cidade do Rio, somente em áreas da Região dos Lagos, etc. Pois bem, em 2011 eu resolvi ficar no Rio. Passei um dos carnavais mais épicos da minha vida, fui pra 25 blocos durante o carnaval junto com o Sonâmbulo Etílico e o The Butcher. Vários outros amigos estiveram, mas essse trio foi o que mais compareceu nos blocos. Ok, Butcher não foi muito, eu e Sonâmbulo que fomos pros 25 blocos. Haja disposição e muito fodasse carnavalesco.

Esse carnaval de 2015 foi o quinto seguido no Rio, e não pretendo sair daqui tão cedo pra outra cidade. E isso tem motivos bem motivacionais por essa escolha. Sei que descobrir outras cidades seria fodástico, como Recife e Olinda, Fortaleza, dentre outros. Não sou fã do carnaval de Salvador, mas já vi histórias fodásticas sobre, mas não me agrada o estilo.

Por que continuar no Rio então?

Tudo começa com ano passado, mas não, não no carnaval, um pouco depois. Em maio eu tive a oportunidade de entrar na Oficina do famoso e fodástico bloco Orquestra Voadora. Uma camarada minha me indicou, já que tocava nele e eu já tinha ido aos ensaios e gostei bastante. Decidi que entraria na percussão desse bloco, decidi não só curtir o carnaval, mas também TOCAR nesse carnaval. Não tocaria somente o terror no carnaval, tocaria um instrumento para fazer a galera pular e também tocar, mas o fodasse, não algum instrumento.

Então essa oficina é boa mesmo, hein

A oficina é sagaz, indico para muitas pessoas. Mas é mais que isso, é a energia que isso proporciona, as pessoas, a cerveja, a zoeira, o clima sagaz entre os integrantes, seja da oficina ou do crack. Antes que vocês olhem de cara feia eu vou explicar esse termo “crack“. Não somos usuários dessa droga bizarra e maldita, não. Resolvemos apelidar de crack o “pós-oficina” da Orquestra Voadora, onde os integrantes do bloco ficam tocando nos Arcos da Lapa. É algo tão viciante quanto o crack, você toca uma vez e praticamente não consegue mais largar. Portanto, não pensem besteira em relação ao nosso abençoado “crack” 🙂

Vidal, Aline e Dulcetti no Carnaval do Rio de Janeiro

Tocar é algo surreal, que não dá muito pra explicar, você pode até tentar, mas não chegará perto de tentar transmitir o que é realmente tocar, seja no carnaval, algum cortejo, show, crack, etc. Fora que é uma forma bem sagaz de conseguir cerveja, acreditem, as pessoas dão cerveja em alguns momentos para os músicos. Claro, dão água também, dão beijo, etc. É uma ótima forma de arrumar cerveja e uns beijos, caso você queira.

Algo que eu ouvi enquanto tocava no carnaval do Rio de Janeiro esse ano e achei espetácular foi a frase de um casal que falou comigo:

“Nós (população) somos totalmente dependente de vocês, músicos, no carnaval.”

Parei pra pensar e realmente, seja na micareta, seja no sambódromo, seja nos blocos de rua, os músicos, sejam profissionais ou não, ditam o rítimo no carnaval, principalmente no de rua. Eu sou adepto de que quando você começa a tocar, você meio que esquece de todos os seus problemas, foca na música, nos sorrisos, nas pessoas, às vezes na bebida, ou seja, quase uma outra dimensão onde nada é ruim. Mexer com arte e cultura e meio que isso, você esquece de todo mal e foca no que realmente importa, naquele amor incubado que muitas pessoas botam pra fora nos cortejos e carnavais.

Interessantes os pontos, mas não seria melhor falar sobre isso perto do carnaval?

Será? Discordo. Sabe por quê? Simplesmente porque eu acredito que a nossa vida deveria ser um carnaval todos os dias. Pode até não ser todos os dias, mas é algo como as datas específicas como dia dos namorados, dia dos pais, não deveriam existir, isso deveria estar na alma, dar presente, carinho quando quiser e não porque uma data nos remete a isso. O carnaval é meio que assim, geral toca o fodasse, se pega, se fode (literalmente ou não), aproveita a vida, faz um monte de coisa que fora do carnaval você não faria. Vai fazer uma suruba? Beleza, é carnaval. Mas e fora dele? Não pode? Só posso no carnaval? Acho que precisamos pensar nisso melhor.

Devemos aproveitar mais a vida, termos mais carnavais durante o ano. E eu percebi que assim que vivemos, nós que tocamos em Fanfarras, todo ensaio é um micro carnaval, todo show, todo cortejo, todo crack, sempre estamos de bem naquele momento, portanto, quanto mais melhor, quanto mais carnaval, melhor. Meio que o carioca tem um pouco disso, muitos pensam que não trabalhamos, só curtimos, bebemos, vamos à praia, etc. Não é bem assim que as coisas acontecem. Trabalhamos sim, temos responsabilidades, mas também sabemos curtir a vida, seja no carnaval ou não. Muitos de nós tentamos levar um pouco do carnaval conosco, seja num churrasco entre os amigos, seja com as namoradas, com a família, de qualquer forma.

É mais ou menos assim que eu penso. O carnaval, a energia, esse espírito não pode sair, não pode ficar conosco somente uma vez por ano, temos que ter o máximo que puder. Se der pra levar pro trabalho, perfeito, se não, leve pro bar, leve pra rua, leve pra casa, fodasse, mas carnaval uma vez por ano não combina comigo, preciso de mais, muito mais. E o melhor disso, muitas pessoas pensam assim, veja a onda das novas Fanfarras, veja o Honk Rio, que aconteceu no final de semana passado, é um claro exemplo disso, de que é possível ter a energia do carnaval em outras ocasiões.

E essas Fanfarras?

Ahhhhh as fanfarras. Agradeço todo dia por ter entrado pro bloco da Orquestra Voadora, que na minha opinião é a mãe de todas as fanfarras cariocas. Muitas das fanfarras “jovens” tiveram alguma passagem no bloco da Orquestra. Hoje participo de algumas fanfarras e sou amigo de todas as outras que não participo. Tenho a honra de participar do bloco da Orquestra e já ter tocado com eles em alguns eventos para hospitais, museus, dentre outros. Eternamente grato por participar do bloco da Fanfarra Black Clube, só galera monstruosa que toca nessa fanfarra, fora ainda ter a honra de ser convocado pelo caixeiro Rafo Castro, baterista monstro da fanfarra pra tocar junto com eles em alguns pequenos shows, fora que nesse domingo representarei junto com meu camarada caixeiro Davide, o monstro dos robocops, no Circo Voador, sem o Rafo, uma puta responsabilidade \m/

Hey Ho! no Complexo do Alemão no Honk Rio

E claro, a minha nobre Hey Ho!, fanfarra de rock que eu participo e está com uma bela agenda pra uma fanfarra que tem menos de cinco meses. Enfim, é uma energia surreal, inexplicável, que só participando que dá pra se ter uma ideia do que é realmente essa parada.

Mas não tem nenhuma lado ruim não?

Bom, sempre tem, só depende de como enxergamos as coisas. Carnaval do Rio tem enchido bastante, isso é uma verdade, mas sempre podemos recorrer a blocos mais alternativos, onde não tem multidão. Com essas novas Fanfarras surgindo isso é bem possível. Sempre evito ir aos blocos que enchem pra cacete. Carnaval tem porrada, confusão, às vezes, mas isso tem em qualquer parte do ano, certo? Portanto, se tem porrada e confusão o ano inteiro, por que não ter mais carnavais durante o ano? Pense nisso 😉

Finalizando

Careca na Fanfarra Black Clube

Créditos: Marina Andrade

Espero que tenham entendido o porquê de colocar esse artigo hoje. Muito também por causa do Honk Rio da semana passada, seria propício falar agora. Esse carnaval de 2015 mudou a minha vida pra melhor, principalmente pelo ano que tive em 2014, onde foi o pior ano da minha vida dentre os últimos. A música me manteve com a cabeça no lugar, presença dos novos amigos, dos amigos antigos, da família ajudou bastante, sempre, mas a música… ahhhh a música, ela transforma qualquer elemento que esteja muito na merda em algo sagaz, a prova disso são os moradores de rua, que sempre brotam nos nossos cracks pra dançar, curtir a música. Ela transforma, te tira da inércia, te apresenta uma experiência nova a cada dia.

Agradeço imensamente aos músicos que conheci, os blocos que toquei nesse carnaval, aos que me deram cerveja, aos que deram sorrisos, a todos mesmo, muito obrigado. E que venha o carnaval de 2016. FODASSE!!!!

Beijo na alcatra.

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