Mitos Cervejeiros – Parte 1

Caros bebedores de plantão, com a popularização das cervejas especiais, algumas lendas sobre este elixir se perpetuaram no imaginário (alcoólico) popular, propagando-se de mesa em mesa pelos bares do Brasil (alguns pelo mundo!), os famosos mitos cervejeiros.

Para dar uma mãozinha para àqueles que querem tirar uma ondinha de entendedor e/ou pretendem parar de falar algumas merdas sobre o assunto, daremos uma de mythbusters cervejeiros e iremos derrubar alguns desses dogmas.

Mitos Cervejeiros: O segredo das melhores cervejas é a boa água!

cerveja gotas

Créditos: 

Tá aí! Talvez esse seja o mito cervejeiro mais disseminado nas mesas dos bares, provavelmente em decorrência do marketing imposto por algumas empresas do segmento. Frases como “Produzida com a mais pura água das montanhas” abundam (!) o material publicitário de algumas empresas.

Sinto muito caros bebuns, a água cervejeira usada na imensa maioria das grandes cervejarias passa por um método de filtragem chamado de osmose reversa, o qual resulta em um produto muito próximo à água destilada. Após este processo, cada cervejaria adiciona certos sais a esta água “neutra” para adequar ao processo produtivo. Mesmo as micro-cervejarias – que via de regra não tem muito cash para investir nestes processos avançados de purificação da água – usam soluções mais baratas que resultam em produtos semelhantes.

Resumindo: provavelmente a água daquela sua cerveja preferida (que você pensava que talvez viesse do derretimento dos glaciares do pólo norte) foi simplesmente tratada pela companhia de águas do município de origem e é bastante parecida com essa que sai na latrina do seu banheiro. Nada de “Águas mais puras das montanhas” por aí…

Mitos Cervejeiros: Cerveja deve ser bebida sempre gelada!

Cerveja Itaipava congelada

Apenas NÃO!

 

Caro inebriado leitor, a temperatura de serviço influi diretamente na percepção sensorial da cerveja. Em outras palavras, cerveja estupidamente gelada anestesia as papilas gustativas, desta forma os estúpidos não conseguem nem sentir o paladar do que estão bebendo, muito menos perceber os diversos aromas e sabores que as cervejas podem oferecer.

A idéia da cerveja “estupidamente gelada” foi bastante difundida pela grande indústria cervejeira (novamente!), com o objetivo de mascarar certos defeitos decorrentes de falhas no processo de produção e/ou transporte e armazenamento inadequado. Afinal de contas, o objetivo é que os bebedores estúpidos não sintam nenhum gosto mesmo.

Por fim, cada estilo de cerveja tem uma temperatura correta de serviço, que potencializa o que cada bebida tem a oferecer. Procure saber a temperatura correta do estilo que você pretende degustar, vale a pena!

Mitos Cervejeiros: Cerveja boa é puro malte!

maltes de cerveja

Créditos: 

Essa frase é quase um mantra para os pretensos connoisseurs que curtem uma cerveja artesanal. Infelizmente, caro bebum, não faz sentido algum.

Provavelmente este preconceito tem origem na tal “lei de pureza alemã”, também conhecida pelo palavrão “Reinheitsgebot”, a qual permitia a fabricação de cerveja apenas com água, malte e lúpulo (até então as leveduras não eram conhecidas, portanto estas não foram incluídas na lei original). Como a Alemanha é produtora natural de cervejas maravilhosas, a associação das “puro malte” com as cervejas de melhor qualidade foi feita com facilidade.

Porém, ali do ladinho da Alemanha, encontramos a Bélgica, produtora milenar de excelentes cervejas que, além dos ingredientes acima, levam em sua composição desde sacarose (o tradicional açúcar) até condimentos como semente de coentro e cascas de laranja, proibidíssimos no vizinho cervejeiro. Hoje em dia podemos encontrar no mercado várias cervejas fantásticas com uma miríade de ingredientes, desde high-maltose (um carboidrato fermentável derivado do milho) até ostras! (sim, OSTRAS! Duvidam? Olhem aqui).

Enfim, como vimos acima, vale de tudo para produzir uma cerveja de qualidade, sem preconceitos! O que não vale é usar matérias-primas de qualidade inferior para baratear o produto final e fazer o consumidor engolir isso, como se o uso destes ingredientes fossem por escolha do público consumidor, não são! Quaisquer semelhanças com algumas cervejas do mercado não são mera coincidência.

Finalizando

Estes são os três primeiros mitos cervejeiros derrubados, em breve voltaremos a escrever sobre mais alguns outros! Boas cervejas a todos!

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