50 Tons de Tinder – Encontro 3

“Terceiro encontro com mulheres do Tinder de Armando. Após duas tentativas frustadas, Armando consegue finalmente algo deveras interessante. Confira o decorrer da história...”

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“Não há moço doente nem velho são”

3 tem 40 anos. Isso diz muito. Generalizando, mulheres mais velhas costumam ser independentes, mais inteligentes e carentes. Vamos e venhamos: mulher sem inteligência é comida sem sal. O problema é que 3 é jornalista e das boas. Sim, em todos os sentidos ela é boa.

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Marcamos num quiosque na praia. 3 é de fora do Rio de Janeiro e adora tomar um único chope perto da areia. Para ela, não importa que o chope aguado e morno custe 8 reais. (Esse é o ruim da Cidade Maravilhosa, que quando não lhe rouba a carteira no ônibus lotado, leva seu dinheiro com um cardápio de preços surreais.) E daí?! Eu tô precisando mesmo sair com uma mulher interessante. Marcamos o chope de 8 reais.

  • – Me diga, você é roteirista? Adoraria escrever pra televisão ou cinema. Já escreveu para algum dos dois? – ela me pergunta hiper-mega-ultra interessada fazendo o escritor aqui se render.
  • – Esse ano sai um filme em que eu fui colaborador. Chama-se “Tô Ryca!”, o roteirista principal é o Fil Braz e também contou com a colaboração da Luanna GB. Os dois são criativos, originais e…
  • – E você?! Fez o que no filme?!
  • – Eu colaborei no roteiro.
  • – Mas isso é o quê?
  • – Ah… Eu ajudei.
  • – Ajudou como?!
  • – Colaborando, porra! – perco a razão sem querer
  • – Você tem 30 anos e é estagiário? – ela pergunta
  • – Não! Eu sou CO-LA-BO-RA-DOR! COLABORADOR! CAPICE?!
  • – Mas você colaborou com o quê?

De tão irritado, eu cruzo as pernas, mas a calça jeans apertada dificulta meus movimentos e eu acerto a mesa, fazendo os dois chopes caírem no meu colo e molharem a região da minha humilde pélvis.

Mulher deitada com uma copo de whisky

  • – Você não precisa bater na mesa. Ficou irritado?!
  • – Não!! Caralho!! Eu só fui cruzar as pernas e…
  • – E chutou com muita força a mesa?
  • – Isso!!
  • – Tá irritado?!
  • – Tô é molhado!

O garçom se aproxima e começa a esfregar um pano imundo e gorduroso na minha bermuda. Eu desisto. Se antes eu estava tomando um baile na conversa, agora eu tô cagado e cheirando a batata frita. Eu olho com a minha maior cara de derrota para 3, que reconhece que o acaso faz bullying comigo.

  • – Hoje não é o seu dia, né? – ela me pergunta
  • – Já tive piores.
  • – E melhores?
  • – Não lembro desses.
  • – Ahhhh… Não fica assim. – ela faz charme e desembainha a espada – Pede a conta. Tá tarde e já está na hora de partir.

Isso que é foda nas mulheres inteligentes. Elas não dependem de sinais. Elas reparam nas coisas e concluem antes mesmo de você. Por mim, eu continuaria ali, tentando virar esse jogo. Nasci pra ser zagueiro capitão, Ricardo Rocha, Gonçalves ou Junior Baiano da técnica. Uma mistura de xerife com imbecilidade. O brasileiro desiste nunca. Meu caso é diferente: eu não sei a hora de parar.

3 sabe que eu sou uma aposta ruim. É como ir ao Jockey e apostar no cavalo com as menores chances. É quase que impossível a sua vitória, mas quem aposta no maldito cavalo ruim (pra quem não percebeu, eu estou me colocando no lugar do cavalo ruim), pode levar uma bolada sem precedentes, caso esse cavalo saia vencedor. 3 não tem o que perder e toma as rédeas da situação.

  • – Vamos pra minha casa.
  • – Oi?! – eu realmente falei “oi?!”
  • – Vamos pra minha casa.
  • – Ok. – eu realmente só falei “ok”

No meio da rua eu me toco que aquela situação é a propícia para o ato de acasalamento. Eu precisei caminhar uns cinco minutos até perceber que ela estava me levando para fazer “coisinhas” com ela. Só então que eu puxo 3 pelo braço e lhe roubo um beijo. Só então eu percebo que as coisas estão funcionando para mim e que aquele pode não ser só mais um dia merda na minha vida. Hoje pode ser um dia foda!

Na casa da 3, ela não me deixa perder o tempo. Vamos tirando a roupa com a velocidade de nossas idades, atravessando os cômodos, até entrar no quarto e nos jogarmos na cama.

Urso comendo uma mulher de 4

  • – Seu cinto não sai? – ela pergunta e continua – O elástico da sua cueca tá frouxo?
  • – Sorte sua eu estar de cueca.
  • – Você tá com micose? Por que tanto talco?
  • – Melhor prevenir do que remediar.
  • – Você já tá todo suado!
  • – Tô nervoso.
  • – Não vá brochar! – ela alerta em tom de alerta e deixando entender que seria o último alerta

E não brochei. Com minha grossa adaga, combati aquela mulher com o que tenho de melhor. Tal qual um pugilista que está há muito longe dos ringues, estudei minha adversária e descobri que técnicas abordar. Sucesso! Nocaute! 5 rounds sem banquinho ou água. O que a seca não faz, né?

  • – 3, pensei que você fosse me dar um toco.
  • – Armando, seu dia tava sendo uma merda e eu resolvi lhe ajudar.

Esse é o foda da mulher independente: ela não depende de você. Se der na telha dela que você vai transar com ela, não há quem lhe proíba. Fogo subindo, água descendo e mulher com vontade de dar, ninguém segura. Não há homem que seja superior a uma mulher independente e inteligente. 3 sabe que eu penso dessa forma e, então, ela me dá o último golpe.

  • – Então façamos assim, Armando… – ela acende um cigarro – você vem pra cá uma vez por semana, a gente transa e não se fala em vidas pessoais.
  • – Você quer que eu seja seu lanchinho da madrugada?
  • – Acho que você não tá me entendendo. – malditas mulheres inteligentes que me tratam como idiota
  • – Como assim?! – perguntei assustado, 3 se levanta e me abraça, ainda nua.
  • – Você é a minha putinha.

É verdade. Eu sou a putinha da 3.

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  • Paulo

    Que texto maldido.

    • Por que maldito?

    • Armando Moya

      Maldito
      desdito
      El desdichado
      dos

  • Abeilard Rangel

    Sensacional cara! Verídico isso? que fodástico: “Você é a minha putinha.” !!!