Rufião – O Rei do Rio: Capítulo 1

Estou sentado na privada. O que era pra ser um mero número dois após um dia de feijoada, se torna num momento de toque, intimidade. É domingo e as pessoas já foram embora da minha casa. Aqui, no banheiro, deixo os últimos traços do que acontecera ao longo desse dia de caipirinha, chope e torresmo. Já estou limpo, mas continuo sentado.

Classificado “das prima”

Idoso lendo jornal

Cocotinha gratinável hein…

Créditos: Caras Ionut

Ao meu lado tenho um jornal velho que pego para ler. É só o classificado. Carros, imóveis para alugar, para vender e serviços. Pego a parte que interessa e começo a ler a descrição das meninas. A maioria jura ser do Sul. Foda-se. Na minha cabeça, são todas moreninhas da Bahia, com cabelos de caracóis e olhos azuis.

A mão trabalha. E como trabalha.

Robin se masturbacao

Trabalha mão, trabalha…

Créditos: Biel Grimalt

Vinte e sete anos, obeso, ex-viciado em cigarro, só fumo maconha por questões recreativas e gosto de beber. Muito mesmo. A barriga é prepotente e orgulhosa, salta os botões das calças jeans, alarga elásticos, mas ainda não tampou a vista para meu “menino”. Os pés vivem inchados. A mão descasca em resultado das noites de Baco em solidão. Eu não sou mais um garoto, mas a vigor não envelheceu, permanece firme como atleta.

Termino. Limpo as mãos. Olho para o jornal, amasso suas folhas e as jogo no lixo com o papel higiênico. “Como tem anúncio de mulher… Isso deve dar dinheiro mesmo” – penso.

Até que…

Idoso lendo jornal com lente

Tive uma ideia, cadê?

Créditos: Mario Pignotti

Eu sou adepto da imaginação, mas nem todo dia a minha veia artística pulsa calorosa assim. Nesses dias a pornografia amadora faz parte de mim como uma pedra de crack numa latinha de bebida dietética. Hoje, explorei os classificados como uma pesquisa de personagens.

Não bate em mim um sentimento de culpa pelo que fiz. Não penso nas pessoas envolvidas no vídeo, ou foto. Nessas horas eu sou um turbilhão passional, irracional. Um blitzkrieg apocalíptico. Um kraken desajeitado.

Quando o dia termina, abro meu Graciliano Ramos, ou João Cabral de Melo Neto, ou mesmo o Crepúsculo, penso nas vidas que prejudiquei com minha libido. É quando reparo que “amadoras” são pessoas como eu, que acordam cedo, trabalham, gozam, mas que estão expostas na internet, sem o devido consentimento.

Ahhh a imaginação… A nobre imaginação…

Garotas em cima de uma Kombi

Uma bela ideia, não acham?

Créditos: Ana Dias

Hoje eu não precisei de fotos, nem de vídeos. Bastou-me a imaginação. A mesma que me fez decidir ser escritor. A mesma que me pôs nesse apartamento apertado de Santa Teresa; que me faz raspar a caderneta de poupança e em poucos dias entrará no cheque especial; que inquieta a minha alma e me faz acreditar que minhas ideias são geniais.

Mulheres, um mal necessário

Mentira!! Optei escrever pelas mulheres. Aliás, não é para isso que os homens trabalham? Mulheres? Sei que há exceções, mas esses são os caras felizes e que fazem dinheiro. Nós, os demais, somos escravos, presos em virilhas e coxas. Meros abridores de compotas.

E por que essas mulheres se vendem em jornais? Nas ruas? Por que essas mulheres se expõem nesses sites tão fracos? Elas merecem mais. Puta, prostituta, vadia, garota de programa… são só nomes desrespeitosos criados por homens inferiores e donas de casas traídas.

Brasil, o país das mulheres…

Mulher brasileira bem gostosa

PUTA QUE PARIU!!!!

Créditos: Paulo Varella

Na frente do computador pesquiso site de acompanhantes. Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte… No Brasil, o que não falta é mulher exposta. Elas fazem porque querem ou porque precisam. É trabalho, como limpar a casa, administrar um banco ou comandar um exército. Tem função social, tem valor econômico, tem mercado, matéria-prima. Karl Marx poderia ter escrito sobre isso em O Capital. Ou mesmo Ludwig Von Mises em mais uma de suas obras.

Um trabalho fraco modificado por um escritor… Gênio!

Os sites são fracos. Os anúncios repetitivos. Isso basta para o consumidor. E se eu fizesse mais? Que tal colocar minhas palavras em anúncios? Transformar uma moreninha recém-chegada do Sul em musa e fazer uma propaganda do seu serviço? E se eu fizer isso em forma de conto?

Jornalista jovem

Ficarei Ryco \o/

Créditos: Vlad Moldovean

Faço uma caipirinha e começo o trabalho. Pesquiso sites de hospedagens. Pago por um endereço pontocom. Baixo apostilas de webdesign e começo. Ainda são nove horas da noite e eu começo a ligar para as mulheres que anunciaram no jornal que estava no meu lixo.

Consegui com que cinco delas façam um teste no meu site. Por três meses elas estarão hospedadas de graça, caso desejem continuar, pagarão uma mensalidade simbólica.

Vou ganhar no número.

Veja os outros capítulos:

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