Juliana Problema: Capítulo 10 (Último Capítulo)

Por meses eu vi a barriga da Juliana crescer. Todo dia eu tinha pesadelos com a vida de casado com aquela menina. Não podia imaginar como seria aturar a vida de casado que teríamos. Meus dias de solteiro tinham terminado e eu passava as noites em eventos organizados pelo pai de Juliana. Festas, jantares e almoços, tudo sempre muito requintado e repleto de pessoas importantes da sociedade carioca.

Não tem tu, vai tu mermo…

Mulher como balança do direito

A justiça é cega mas adora uma sacanagem

Ainda assim, eu me confortava pelo meu crescimento. Se por um lado eu estava com a vida pessoal em declínio, profissionalmente eu me agigantava. Consegui levar todas as empresas do pai de Juliana para o escritório, passei a ser respeitado pelos corredores do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, e não tinha um magistrado que fosse louco em dar uma decisão ou voto contra os meus intentos jurídicos. Eu estava tão “picudo” que até o Ministério Público beijava a minha mão (literalmente).

Um belo dia (talvez seja macabro demais falar isso), todos nós estávamos na casa do pai de Juliana. A grávida não estava muito bem. O coquetel estava rolando solto debatíamos como seria o casamento. Por ordem do pai de Juliana, meus padrinhos foram todos escolhidos por ele, aliás, nem meus amigos poderiam comparecer. O casamento mais parecia um julgamento de tribunal do júri, e eu sabia que ia tomar pica no final.

Até que de repente…

Gata desmaiada

TUM!

Créditos: Aldo Vieira

Em meio ao debate de quais flores ornamentariam as mesas, Juliana desmaiou. A febre estava demasiadamente alta e ela não agüentou. Às pressas, todos levaram a grávida para o hospital mais caro do Rio de Janeiro. Achavam que era estresse, achavam que era só cansaço, falaram do calor, mas Juliana não saía de dentro da UTI e o clima começou a esquentar.

Primeiro, o pai de Juliana exigia explicações. Perguntava como aquilo podia ser tão demorado se era somente uma crise de estresse, mas ninguém sabia responder. Depois, a mãe também desmaiou e foi parar num quarto para receber cuidados e tomar um soro e ter a atenção de uma enfermeira. Por último, um dos seguranças não conteve o choro, tanto que recebeu o ombro amigo do colega.

Vai acabar não hein?

Homens bebendo cerveja

Dá pra acabar logo pra eu continuar bebendo?

Créditos: Eduardo Wöetter

Eu estava tranquilo. Na verdade, de porre. Queria logo ir embora e ver o jogo do meu time. Aproveitei a confusão e saí do hospital para comprar algum radinho de pilha ou encontrar uma televisão.

Assim que voltei para o hospital – com um radinho de pilha na mão -, vi o médico saindo da UTI com algumas manchas de sangue na roupa. Com essa cena, até eu fiquei sóbrio e apavorado.

  • – Quem é da família da Juliana? – perguntou o médico

Todos se aproximaram, inclusive eu. O médico tinha um semblante dos piores, daqueles de que vão dizer “morreu e se fudeu”. E era mais ou menos isso:

  • – Aparentemente ela forçou um aborto através de remédios e o feto estava morto, causando uma infecção no corpo…

O pai de Juliana gritou em desespero. O segurança se jogou de joelhos no chão. As pessoas se abraçavam procurando consolo. Eu desliguei o radinho de pilha. O médico continuou:

  • – Juliana passa bem, mas o bebê morreu. Ela ficará aqui mais um dia ou dois para observação. Eu sei da importância do senhor – disse o médico se referindo ao pai de Juliana – e por isso não informarei a Polícia e nem colocarei isso no prontuário, pode ficar tranquilo quanto a isso.

Alívio ou tristeza?

Homem aliviadoCréditos: Rubens Nemitz Jr

Por mais que o alívio fosse imenso, eu senti toda aquela tristeza da família de Juliana. Saber que não seria pai naquele momento foi uma notícia feliz, porém, o cenário era o mais sombrio possível.

O pai de Juliana veio e me abraçou. Podia sentir aquelas lágrimas molharem minha camisa. Aquele homem forte e poderoso era tão humano quanto eu. Aquele bicheiro, que trabalhava com lavagem de dinheiro e mercadorias contrabandeadas não era tão diferente de mim. Não resisti e acabei chorando de comoção. Abraçado a mim, ele me levou para o quarto onde a mãe de Juliana estava deitada.

  • – Querida, nossa filha perdeu o bebê…
  • – Eu sei, querido. Eu sabia de tudo. – o pai de Juliana terminou o choro com uma cara de espanto – Conversamos muito sobre isso tudo no cruzeiro.

FUDEU!!!!

Assim que a mãe terminou de falar, o pai saiu do choro para o ódio em um segundo. Sua voz voltou ao normal e as lágrimas secaram como num passe de mágica.

  • – Como assim?!?!? – perguntou o pai irado
  • – É… o filho é do Juvenal. Juliana e esse garoto só transaram uma vez e estavam de camisinha e ele só deu umazinha meia-bomba. Juliana sempre teve um caso com o segurança. Esse menino aí do seu lado era só pra despistar e arranjar um pai. Juliana jamais ficaria com um cara como esse.
Seguranças

O Juvenal? hihihihihi

Créditos: Charlie Herranz

O pai de Juliana virou, pôs o dedo na ponta do meu nariz:

  • – Seu merda, você sabia disso?!?!?!
  • – Cara, tô surpreso também… eu acabo de descobrir que sou corno e…

O pai de Juliana me interrompeu com um direto de direita que nem vi de onde veio. Quando eu caí, eu fechei a porta do quarto e fiquei como peso para não abrirem.

  • – Você não sabia que tinha dado “umazinha” meia-bomba com a minha filha?!?!?!
  • – Calma, aí!! Eu tava bêbado!! Nem lembro ter comido sua filha!! – gritei desesperado

Ele me dá um chute na barriga. Com a gritaria, as pessoas tentam entrar no quarto, mas meu corpo apoiado na porta não deixava a porta abrir. Eu e o pai de Juliana discutíamos em alto e bom tom.

Foge daí seu otário…

De alguma forma eu me levanto e empurro o pai de Juliana, que cai no chão e volta a chorar. Enfermeiros, seguranças do hospital e médicos invadem o quarto. Aproveito a confusão e saio correndo dali.

Era domingo e eu virei a noite com medo de algo acontecer comigo. Fiquei imaginando os seguranças batendo na minha porta para um “acerto de contas”.

Pessoa indo embora levando a bicicleta

Já sei, vou virar blogueiro!

Créditos: Naiana hi

Na segunda-feira, no trabalho, encontro minha mesa com uma caixa de papelão. O contrato que eu tinha assinado para ser sócio da empresa nunca fora registrado em cartório. O pai de Juliana tirou todas as empresas dali só com um telefone. Ele mandou o recado para todos os escritórios de advocacia do Estado que se me contratassem, teriam problemas com ele. O Tribunal de Justiça nunca mais foi o mesmo, o Ministério Público cuspia no chão que eu pisava e a OAB caçou minha carteira.

Então né, fazer o quê…

Eu acabei voltando a morar com a minha mãe, comecei a trabalhar como garçom; perdi meus videogames; perdi peso; fiz cursinhos; e fiquei sozinho. Hoje escrevo contos sobre meus relacionamentos complicados para um site usando um pseudônimo.

Apesar de tudo, só tenho uma coisa ainda não sai da minha cabeça, um único problema que me incomoda até hoje:

A filha da puta me botou um par de chifres.

Veja os capítulos anteriores

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